domingo, 18 de dezembro de 2011

Pólen de flores: propriedades nutricionais e terapêuticas

Pólen de flores: propriedades nutricionais e terapêuticas


Pólen de flores: propriedades nutricionais e terapêuticas

Por Gilberto Coutinho,
terapeuta naturopata com formação em Medicina Tradicional Indiana


1ª parte:


"Pela primeira vez, em 1940, os checos Ian Heitmanek e Iaroslav Svoboda, membros da “Academia das Ciências da Checoslováquia”, demonstraram que o pólen das diferentes espécies de plantas apresentava para as abelhas propriedades nutricionais diferentes"

O pólen (Do lat. pollen), em geral, é um fino pó amarelado, visível apenas ao microscópio, formado nas anteras, situadas nas extremidades dos estames (órgão reprodutor masculino) das flores, por um conjunto de estruturas microscópicas produtoras de gametas ou células sexuais (gametófitos), elementos que constituem o sistema reprodutor masculino (androceu) dos vegetais com flores, estruturas exclusivas das angiospermas (plantas que produzem flores, cujas sementes encontram-se dentro de seus frutos).

O pólen é um produto de secreção dos órgãos sexuais masculinos das plantas.

As abelhas operárias deixam a colmeia em busca do pólen, do néctar e da água. O pólen é colhido das flores de plantas e árvores de forma semelhante à colheita da própolis, produto elaborado a partir de resinas extraídas de árvores e plantas (botões das flores, folhas e cascas das árvores) e da salivação das abelhas.

Durante a produção da própolis, as abelhas “mastigam” as resinas, misturando-as com suas próprias enzimas salivares (amilases, catepsinas, lipases e tripsina). As abelhas utilizam o pólen como alimento principal e fonte de proteínas, tanto para o seu uso próprio quanto para o sustento e o desenvolvimento das larvas, inclusive para garantir suas funções fisiológicas e glandulares, responsáveis pela produção de geleia real, cera, fermentos e enzimas.

Durante a colheita, as abelhas umedecem o pólen com sua própria saliva misturada com néctar das flores e o alojam em receptáculos especiais (corbículas ou corbelhas) localizados na base de suas patas posteriores. Ao serem preenchidas de pólen, as corbelhas podem chegar a pesar cerca de 20 mg e conter, aproximadamente, 4 milhões de grãos de pólen.

Ao chegar à colmeia, as abelhas operárias depositam o pólen no interior de alvéolos hexagonais, perfeitamente construídos, e os recobrem de mel, dando origem ao pão da abelha (alimento constituído a partir do pólen embebido no mel). No início dos anos de 1950, pesquisadores constataram que as abelhas podem gerar 150.000 novas abelhas com cerca de 30 a 50 kg de pólen. Ao se alimentarem com o pão das abelhas, as abelhas podem criar em média 175 larvas por dia.

As operárias elaboram a cera e com ela constroem os favos cujos alvéolos servem para armazenar o mel, o pão da abelha e funcionar como berçário para a criação. A fabricação da cera pelas operárias depende de suas glândulas cerígenas, como também do consumo, pela abelha, do mel e pão da abelha. As operárias apenas constroem os favos se a sua colmeia tiver uma rainha. As abelhas preservam a colmeia num estado de limpeza e assepsia ideal, vedando todas as fendas com resina de própolis (rica em bálsamos de composição aromática, cera, pólen, óleos étricos, gordura, ácidos, traços de minerais, vitaminas, caroteno, bioflavonoides, antibióticos, enzimas, etc., conforme análises clínicas dos maiores laboratórios do mundo; apresenta propriedades antioxidantes, antissépticas, bactericidas e antivirais) e as paredes interiores da colmeia.

Biologia da flor

Nas angiospermas, grupo mais abundante e com maior diversidade entre as plantas terrestres (mais de 250.000 espécies), as estruturas relacionadas com a reprodução sexuada encontram-se nas flores. As flores completas são formadas por pedicelo (ou pedúnculo) e um receptáculo, onde se inserem os verticilos florais: cálice (conjunto de sépalas, geralmente, verdes); corola (conjunto de pétalas, de cores variáveis); androceu (formado pelos estames, constituído de antera e filete); gineceu (constituído de estigma, estilete e ovário, é o sistema reprodutor feminino). Há flores que apresentam apenas o androceu ou o gineceu, sendo flores masculinas ou femininas, no entanto a maioria possui androceu e gineceu.

O número de estames por flor varia muito, existem flores com um só estame, como é o caso do gênero Euphorbia, até flores com mais de 100 estames, como em certas espécies de Myrtaceae. Cada estame é constituído de filete (porção estéril, de forma fina e alongada e que contém em sua extremidade a antera), antera (de forma globosa, geralmente, contém em seu interior quatro sacos polínicos (microsporângios ou androsporângios), onde se formam os grãos de pólen, sendo um saco polínico anterior e outro posterior que juntos formam uma teca; a antera é formada por duas tecas) e conectivo (parte estéril que se situa entre as duas tecas).

A liberação do grão-de-pólen ocorre através da deiscência (ruptura natural) da teca. Os grãos de pólen das gimnospermas (subclasse de plantas que têm sementes expostas, não contidas em frutos fechados) só podem ser transportados pelo vento (ou seja, a polinização é efetuada pelo vento), enquanto os das angiospermas (na sua grande maioria) podem também ser transportados por animais (em geral, insetos, aves e morcegos), dependendo da espécie da planta.

As flores, geralmente, possuem nectários, estruturas que produzem o néctar, líquido açucarado, nutritivo, mais ou menos viscoso, rico em glicídios (açúcares, substâncias energéticas), que serve de alimento para insetos sugadores (abelhas, borboletas, etc.) e pássaros (beija-flor, etc.). Ao se alimentarem do néctar, esses animais atuam como importantes agentes polinizadores das espécies vegetais.

Propriedades nutricionais e terapêuticas

Pela primeira vez, em 1940, os checos Ian Heitmanek e Iaroslav Svoboda, membros da “Academia das Ciências da Checoslováquia”, demonstraram que o pólen das diferentes espécies de plantas apresentava para as abelhas propriedades nutricionais diferentes. No final da década de 1970, o pólen das flores passou a despertar grande interesse popular e científico, quando diversos atletas famosos passaram a consumi-lo como suplemento nutricional e a testemunhar seus diversos benefícios à saúde. Na Alemanha, o uso de pólen é permitido como estimulante do apetite.

No Brasil, diversas universidades têm-se dedicado à análise e ao estudo científico das propriedades nutricionais e terapêuticas do mel, da geleia real e da cera das abelhas, como também do pólen das flores e das possíveis propriedades terapêuticas das toxinas das abelhas. Em todos os países em que a apicultura é desenvolvida, existe um crescente interesse científico e econômico de se ampliar a produção dos produtos oriundos das abelhas, mediante ensinos e métodos seguros e adequados.

O pólen recolhido pelas abelhas e os produtos à base de pólen não apresentam qualidade uniforme, ou seja, não são padronizados, pelo fato de se originarem de plantas de espécies muito variadas e de sua composição química variar de semana para semana e de uma colmeia para outra. No entanto, o pólen é fonte importante de proteínas e de um complexo concentrado de substâncias nutritivas e biologicamente ativas que conferem a ele propriedades profiláticas e terapêuticas. Composto de proteínas, carboidratos, sais minerais, ácidos graxos essenciais, (ácidos alfalinolênico e linoleico), o pólen também contém pequenas quantidades de vitamina C, vitaminas do complexo B e vários aminoácidos, hormônios, enzimas e coenzimas.

Acredita-se que alguns apicultores russos da Caucásia chegavam alcançar a idade de 160 anos pelo fato de mastigarem regularmente favos contendo mel e pólen frescos. De modo geral, deve-se considerar o pólen, a propolina, a geleia real e o mel das abelhas como importantes suplementos nutricionais, inclusive com relevantes propriedades terapêuticas, porém não como medicamentos propriamente ditos.

O pólen contém todos os elementos essenciais à vida dos organismos vegetais e animais. É também rico em vitaminas e hormônios do crescimento.

Fonte:






2ª parte:


"Os bioflavonoides encontrados no pólen das flores (e também na própolis e Ginkgo biloba) atuam nas funções fisiológicas da seguinte forma: auxiliam na absorção e na utilização da vitamina C; protegem o organismo contra a ação dos radicais livres (devida sua poderosa ação antioxidante); beneficia o tecido colágeno (olhos, pele e cartilagens articulares); melhora a elasticidade, a permeabilidade e a resistência dos capilares sanguíneos (prevenindo e combatendo, dentre outros males, a fragilidade capilar); no combate dos quadros alérgicos, e atuam como antiinflamatórios"

Na primeira parte, expliquei o que é o pólen de flores, falei sobre suas proriedades nutricionais e sobre a biologia da flor. Agora abordarei neste segundo texto a conclusão sobre o tema. 

Componentes químicos

Em média, o pólen de flores contém as seguintes substâncias: proteínas (10 a 30%), gorduras (5 a 14%), carboidratos (30 a 40%), cinzas/resíduos (2 a 7%), água (5 a 10%), antibióticos e enzimas (fonte: “Abelhas e Saúde”, Prof. Ernesto Ulrich Breyer, 5ª Edição – 1985).
Usos relatados

Embora o uso de pólen de flores seja muito antigo (os médicos indianos, egípcios e chineses já conheciam suas propriedades, assim como o médico grego Hipócrates) e hajam indicações tradicionais para o combate e a prevenção de diversas enfermidades, ainda não existem estudos clínicos definitivos que confirmem qualquer uma dessas alegações.

Na Europa, no início dos anos de 1960, o pólen de flores foi utilizado no combate da prostatite e hiperplasia prostática benigna (HPB). Embora seu mecanismo de ação não tenha sido esclarecido, o pólen de flores demonstrou-se eficaz em vários estudos clínicos *duplo-cegos. Provavelmente, tal efeito terapêutico tenha sido alcançado devido à elevada concentração de bioflavonoides (vitamina P).

Os bioflavonoides encontrados no pólen das flores (e também na própolis eGinkgo biloba) atuam nas funções fisiológicas da seguinte forma: auxiliam na absorção e na utilização da vitamina C; protegem o organismo contra a ação dos radicais livres (devida sua poderosa ação antioxidante); beneficia o tecido colágeno (olhos, pele e cartilagens articulares); melhora a elasticidade, a permeabilidade e a resistência dos capilares sanguíneos (prevenindo e combatendo, dentre outros males, a fragilidade capilar); no combate dos quadros alérgicos, e atuam como antiinflamatórios.

Devido à sua composição muito complexa e rica em minerais, enzimas, vitaminas, aminoácidos, compostos revitalizantes e biologicamente ativos, o pólen de flores tem sido indicado como tônico (estimulante e fortificante do organismo), estomáquico (favorece a digestão gástrica, sendo não contraindicado na úlcera), estimulante do apetite, no combate à fadiga, ao esgotamento físico e mental, ao estresse, à anemia, à asma brônquica, à prisão de ventre, à diarreia (pois auxilia na normalização das funções intestinais), à impotência sexual, e nos quadros de alergias (embora, seja contraindicado nos casos de história de alergia ao pólen, devido ao risco de reações de hipersensibilidade).

Pelo elevado teor de antioxidantes, o pólen é também considerado útil na prevenção do câncer e das doenças do coração (cardiopatias), auxilia na redução do colesterol e dos triglicerídeos. Indicado também para estimular a imunidade e fortalecer crianças pálidas e doentes. Atualmente, o uso terapêutico do pólen passou a ser recomendado por alguns médicos alopáticos no combate à inapetência (falta de apetite), ao estresse e nos quadros de desgastes nervosos.
Reações colaterais

Reações alérgicas, em pessoas suscetíveis, que podem incluir desde náuseas e vômitos até anafilaxia (reação alérgica severa) (Broadhurst, 1997).

Interações

Evitar o uso concomitante do pólen de flores com agentes hipoglicemiantes. O emprego de pólen com insulina e outros hipoglicemiantes podem ocasionar hiperglicemia em diabéticos.
Precauções e contraindicações

É contraindicado nos casos de alergia ao pólen de flores (devido ao risco de reações de hipersensibilidade), hiperglicemia (aumento anormal da taxa de açúcar circulante no sangue) e diabetes mellitus.
Posologia

A maioria das fontes sugere 500 a 1000 mg via oral, três vezes ao dia, 30 minutos antes das principais refeições.

Ecologia das abelhas

Embora recentes pesquisas realizadas nos EUA não consigam concluir a razão da diminuição drástica e crescente da população de abelhas no país, é possível que as alterações climáticas (aumento e declínio da temperatura), a destruição da camada de ozônio (aumento da radioatividade UVA e UVB na atmosfera terrestre), a poluição do ar e dos rios, a chuva ácida, o crescente desmatamento das florestas nativas, o uso indiscriminado de agrotóxicos e pesticidas, abalos sísmicos, dentre outros fatores, sejam decisivamente responsáveis pelo desaparecimento das abelhas e de outras espécies da flora e fauna, como tem ocorrido nos países do hemisfério Norte (EUA e Europa).

As abelhas, assim como outros insetos e animais, são indispensáveis no processo de polinização de muitas espécies de plantas, inclusive as nativas. As árvores frutíferas, para produzir frutos, sementes e preservar a perpetuação de suas espécies, necessitam de ser polinizadas pelas abelhas e o seu desaparecimento pode afetar drasticamente a alimentação de várias espécies de animais e da própria espécie humana. Certas espécies de plantas, arbustos e árvores podem deixar de se reproduzir com o desaparecimento de insetos e animais polinizadores, o que pode alterar profundamente os ecossistemas.

Assim como certas espécies da flora (musgos) e fauna (anfíbios anuros: sapos, rãs e pererecas) são bons bioindicadores ambientais, as abelhas, dentre outros insetos polinizadores, também são excelentes indicadores biológicos, sensíveis às alterações climáticas e dos ecossistemas causadas pela poluição, pela expansão de áreas agrícolas, pela mineração, pelas queimadas e, sobretudo, pelo crescimento urbano e industrial. Existem poucos e inconclusivos estudos sobre fatores etiológicos (causadores) que podem estar relacionados com o declínio da população de abelhas, entretanto a ameaça à preservação das abelhas parece configurar-se na destruição de seus habitats naturais.

Outras considerações

É recomendável refrigerar o pólen fresco para se preservarem suas propriedades nutricionais e terapêuticas. O pólen importado é frequentemente submetido a técnicas de esterilização, o que pode contribuir para a degradação de muitas enzimas e nutrientes.

O pólen de certas flores pode ser tóxico, esse não deve ser consumido: Nerium oleander (espirradeira, oleandro, louro-rosa, rododendro), cujas flores contêm vários glicosídeos cardioativos, pode ocasionar atividade espasmolítica, depressora do sistema nervoso central e do coração (em altas concentrações) e abortiva; e Hyoscyamus niger (meimendro), originário da Europa, atualmente encontra-se amplamente distribuído no Brasil, apresenta flores amareladas e roxas reticuladas (famoso veneno citado na obra de Shakespeare, em que o pai de Hamlet é morto por ele).

Espécies de plantas de muitas famílias podem causar envenenamento às abelhas devido à toxicidade do pólen ou néctar. Porém, as plantas que envenenam as abelhas são aquelas que, geralmente, produzem pouco néctar ou pólen (Barker, 1990). Robinson & Oertel (1975) classificaram as seguintes plantas como produtoras de néctar tóxico para abelhas: Kalmia latifólia, Aesculus californica, Zigadenus venenosus, Astragalus spp., Gelsemium semprevirens e Cyrilla racemiflora. Barker (1990) também relatou o envenenamento de abelhas.

Entre as inúmeras espécies, são citadas algumas das espécies tóxicas: Allium cepa, Tulipa gesneriana, Macadamia integrifolia, Aconitum spp., Papaver soniferum, Arabis glabra, Astragalus spp., Sophora microphylla, Aesculus californica, Camellia reticulata, Nicotiana tabacum e Digitalis purpurea. Os extratos de plantas e óleos essenciais (voláteis) de Mentha piperita, Acoruscalamus, Anethum sowa, Piper nigrum, Pogamia glabra e Azadirachta indica (Nim) têm demonstrado atividade protetora contra insetos e forte poder de repelir as abelhas (Singh & Upadhyay, 1993).

Os apicultores devem procurar conhecer e identificar tais espécies tóxicas para proteger suas colmeias e garantir uma melhor qualidade e produção de mel, geleia real, pólen de flores, própolis e cera de abelhas.
Automedicação

A automedicação é um hábito muito perigoso. Segundo a “Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)”, estima-se que no Brasil essa prática seja responsável por cerca de 30% dos casos de intoxicação. Além desse problema, utilizar medicamentos por conta própria pode causar dependência, efeitos colaterais graves, reações alérgicas e até morte; por isso, é preciso combater a automedicação e somente fazer uso de remédios e medicamentos sob a orientação e a prescrição de um profissional da área de saúde, após uma minuciosa avaliação clínica.

* Estudo Duplo-Cego é um estudo realizado em seres humanos onde nem o examinado (objeto de estudo) nem o examinador sabe o que está sendo utilizado como variável em um dado momento.








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Um comentário:

  1. bom dia..

    Passagens da Escritura, sem motivo especifico por ter deixado no seu blogger, mas especifico para que leia as Escrituras, pois sempre fala ao nosso Ser.

    LUCAS 12 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. 31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

    JOÃO 14 21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.

    Abraços
    Jesus Cristo te Ama
    Ele é o Caminho a Verdade e a Vida

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