domingo, 18 de agosto de 2019

Joanne Chory: “As plantas estão estressadas, florescem em épocas que não deveriam”


MEIO AMBIENTE - PRESERVAÇÃO - DIÓXIDO DE CARBONO

Joanne Chory: “As plantas estão estressadas, florescem em épocas que não deveriam”

Pergunta. Que efeito tem a mudança climática sobre as plantas?
Resposta. Todas as plantas estão estressadas. Há 20 anos é fácil de ver. Noto no meu jardim: tudo floresce quando não deveria. Tenho uma magnólia chinesa que está dando flor no meio do inverno, não tem nenhum sentido. E depois morre no verão, quando deveria estar verde e bonita. Costumo dizer que minha magnólia vive no fuso horário da China e tem jet lag.



Joanne Chory: “As plantas estão estressadas, florescem em épocas que não deveriam”

Botânica e geneticista do Instituto Salk, Joanne Chory foi premiada por seu revolucionário projeto sobre o emprego de cultivos na redução do CO2


Pablo ximénez de sandoval

12 AGO 2019

Joanne Chory acredita que uma das ferramentas mais efetivas para frear a mudança climática está diante de nós. Não é preciso fabricar nada. É algo que vem sendo naturalmente aperfeiçoado há milhões de anos, e basta direcionar um pouco o processo para que tenhamos um importante impacto na redução das concentrações atmosféricas de CO2. Com uma modificação genética, as plantas podem desenvolver raízes mais duras e profundas, que retenham parte do CO2 que elas normalmente expelem na atmosfera ao apodrecerem. Em grande escala, se isso se aplicar nos grandes cultivos de cereais do mundo, poderia reduzir em 20% a emissão de dióxido de carbono decorrente da mudança climática. A ideia de Chory (Boston, 63 anos) lhe valeu o Prêmio Princesa de Astúrias de Pesquisa deste ano. Ela recebeu a reportagem do EL PAÍS no seu escritório do Instituto Salk em La Jolla, Califórnia. Os sintomas do Parkinson que lhe foi diagnosticado há 15 anos já são muito visíveis. Mesmo assim, continua indo diariamente ao trabalho. No mínimo, é um estímulo para correr mais depressa na batalha pelo planeta.

Pergunta. Quando começou a pesquisar a genética das plantas, há 30 anos, o aquecimento global só era estudado pelos especialistas em clima, não preocupava outras disciplinas.
Resposta. Sim, o resto da comunidade científica estava dormindo. Os jornais mal falavam disso. O debate estava circunscrito à climatologia. Como em tudo, há um mainstream na ciência. Não sei de quem é a culpa, ou se há uma culpa. Talvez as pessoas não tivessem suficiente informação para perceber que nós estávamos causando o problema.

P. Que efeito tem a mudança climática sobre as plantas?
R. Todas as plantas estão estressadas. Há 20 anos é fácil de ver. Noto no meu jardim: tudo floresce quando não deveria. Tenho uma magnólia chinesa que está dando flor no meio do inverno, não tem nenhum sentido. E depois morre no verão, quando deveria estar verde e bonita. Costumo dizer que minha magnólia vive no fuso horário da China e tem jet lag.

P. Seu projeto em questão, como ele favorece que as plantas participem da luta contra a mudança climática?
R. O objetivo é ajudar as plantas a redistribuírem parte do dióxido de carbono que absorvem normalmente com a fotossíntese. Ou seja, pegam CO2 do ar e água da terra, e por meio da fotossíntese o transformam em açúcares. Quando a planta morre, esses açúcares voltam para a atmosfera transformados novamente em dióxido de carbono. Nosso projeto busca que a planta guarde esse CO2 em uma parte que seja resistente à decomposição. Os níveis de CO2 são mais altos no inverno, quando acontece a decomposição, e mais baixos quando as plantas estão crescendo. Isso nos indica que há uma forma de facilitar que as plantas ajudem a reduzir o dióxido de carbono.

P. Como são essas plantas modificadas?
“Em 2030, dentro de 10 anos e quatro meses, veremos mudanças irreversíveis no clima que não nos permitirão voltar atrás”
R. Têm raízes mais profundas e produzem mais suberina, que é basicamente a cortiça. Aí armazenam carbono. Nas secas, isso evita que a planta seque. E se houver muita água evita que ela se afogue. Fazemos a planta fabricar mais cortiça, em raízes maiores e mais profundas. A planta absorve a mesma quantidade de CO2, e nosso trabalho afeta só a maneira como o distribui. Em vez de pô-lo nas folhas, que se decompõem e o devolvem à atmosfera, o pomos nesse tecido, dentro do solo e estável. Para reduzir o nível de dióxido de carbono da atmosfera você pode utilizar máquinas muito grandes e caras. Ou pode deixar que as plantas façam o que sabem fazer e estão aperfeiçoando há 500 milhões de anos. Só queremos treiná-las para que uma parte do CO2 elas enterrem em vez de soltá-lo todo na atmosfera.

P. De que plantas estamos falando?
R. Cultivos. Iremos atrás dos mais habituais. O fato de modificar as raízes não afeta o consumo humano, porque não é essa a parte que comemos. Não acho que já tenha se tentado que os cultivos absorvam mais CO2. Temos um amplo espaço para jogar com a genética.

P. Acredita que as pessoas entendem a urgência da mudança climática?
R. Meus filhos de 24 e 21 anos não entendem totalmente. A maioria das pessoas mais velhas tampouco. Acham que será solucionado pela tecnologia, que alguém dará um jeito. Porque foi assim que o Ocidente evoluiu. Mas neste caso não será suficiente. As mudanças em nível global são grandes. E as plantas têm um currículo neste sentido.

P. Qual será o ponto de não retorno?
R. Ele vai mudando. Agora é 2030, dez anos e quatro meses a partir de hoje. Esse é o ponto em que veremos mudanças irreversíveis que não nos permitam voltar atrás. Acho que, sim, vai ocorrer rápido assim, e talvez mais rápido ainda.

P. E com que rapidez seu projeto poderia ser desenvolvido para ter um impacto?
R. Achamos que faltam 15 anos. É o tempo que se requer para plantar tudo o que precisamos. Ao final será algo que poderá ser incorporado a qualquer planta. Talvez os supermercados acabarão por vendê-las. O chamado à ação é para o mundo inteiro.

P. Gostaria de lhe perguntar sobre sua doença. Como se encontra e como ela afeta o seu trabalho?
R. Bom, já está vendo que tenho sintomas. Por enquanto vou bem. Os sintomas às vezes me esgotam, mas este projeto me mantém com vontade de continuar, sinto que é urgente. É bom ter algo a que se agarrar. Quero estar aqui quando as primeiras plantas forem plantadas. Então, se eu durar cinco anos mais talvez consiga. Mas aqui tenho colegas que farão um bom trabalho sem mim se eu ficar mal. Nunca sei como será meu dia quando me levanto pela manhã. O Parkinson me ensinou que é preciso fazer as coisas agora.







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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

JUDAS ESCARIOTES: “o homem de Kheriot”, sua cidade natal


JUDAS E JESUS

JUDAS ESCARIOTES: “o homem de Kheriot”, sua cidade natal

II - Zelote



JUDAS ESCARIOTES: “o homem de Kheriot”, sua cidade natal


II - Zelote


   Judas adorava o nome (Yehoudah em hebraico) que Rubens Simão, seu pai, lhe dera, apesar de tê-lo feito por ironia...
   Judas ou Yehoudah era o nome do quarto filho de Jacó e Lea, aquele que é mencionado no livro do Gênesis:

   Concebeu quarta vez e deu à luz um filho, e disse: Agora louvarei o Senhor, e por isso pôs-lhe o nome de Judas; e cessou de dar à luz (Gn 29:35).

   Ele adorava as cinco consoantes do seu nome – YHWDH – onde era possível reencontrar o Nome divino, o Tetragrama YHWH e as letras HWDH que significam “louvar”. Judas é o chefe da tribo que deve se consagrar ao “louvor” de YHWH. Depois disto, Lea cessou de dar à luz, ela trouxe ao mundo o essencial; é por esta razão que Israel existe: para dar testemunho e louvor ao Eterno, o Único, aquilo pelo qual tudo subsiste. Seu nome era sua missão; apesar deste corpo, deste rosto e desta ingrata herança, ele tinha como missão louvar “O Ser que é o que é” e destruir tudo que se opusesse a este justo louvor, a esta ortodoxia...
   Havia ainda um outro nome que lhe agradava e que também continha o Tetragrama sagrado: “Yeshoua” que significa: “Deus, YHWH, é o Salvador, o Libertador”. Tendo em vista suas aspirações de ver seu povo libertado, Judas achava que o Nome Yeshoua lhe teria caído melhor e teria sido de mais ajuda para auxiliá-lo a se “programar” como Messias ou colaborador do Messias de Israel.
_________________
2. Em grego: orthos = justo; doxa = louvor.

   Judas ainda não se considerava um possível futuro messias para os judaicos, sua tribo, mas muitas vezes ele se sentia perturbado ao ler o Livro dos Profetas que narrava, em Isaías, a vinda de um messias, sem beleza e sem esplendor, que carregava consigo a rejeição do povo que ele viera salvar. Cada uma das palavras parecia ter sido especialmente escrita para ele:

E ele subirá como arbusto diante dele,
E como raiz que sai de uma terra sequiosa,
Ele não tem beleza, nem formosura,
E vimo-lo e não tinha aparência do que era,
E por isso não fizemos caso dele.
Ele era desprezado, e o último dos homens,
um homem de dores;
E experimentado nos sofrimentos, e o seu rosto estava encoberto;
Era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.
Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas (e pecados).
E ele mesmo carregou com as nossas dores,
E nós o reputamos como um leproso,
E como um homem ferido por Deus e humilhado.
Mas foi ferido por causa das nossas iniqüidades,
Foi despedaçado por causa dos nossos crimes;
O castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre ele,
E nós fomos sarados com as suas pisaduras. (Is 53:2-5).

   Se não era dele de quem falava o profeta, ele gostaria, ao menos, de ser próximo deste Messias.
   Foi junto aos zelotes, aqueles que têm “zelo” ou ardor por Deus e pela Torah, que ele encontrou uma confirmação para sua vocação. Eles também eram chamados de “sicários”, nome derivado deste pequeno punhal do qual eles nunca se separavam e que era um lembrete de que existe uma violência e uma guerra justas quando a honra de Deus, de sua terra e dos homens a quem ela é prometida é injuriada ou colocada em xeque.

   Ele se aproximou de um outro Judas, conhecido como Judas, o Galileu, filho do célebre Ezequias que se revoltara contra os romanos e contra o poder do Rei Herodes. Após a morte do seu pai, assassinado por Herodes, e após a morte deste último, Judas tinha retomado a tocha e tomara de assalto o arsenal de Seéforis com a ajuda de um grupo de partidários. Ele dispunha agora das armas do butim para conduzir sua própria luta armada...
   Quando o procurador romano Quirinius ordenou um recenseamento para que ninguém escapasse do imposto devido a César, os judeus de Jerusalém ficaram divididos: o grande sacerdote Joazar aconselhou que os fiéis se curvassem às exigências do invasor... Judas, apoiado pelo fariseu Sadoq, propôs ao povo que resistisse. Ele fez espalhar a crença de que era vergonhoso consentir em pagar um tributo aos romanos e, sobretudo, tolerar um outro senhor, ainda por cima mortal, além de Deus.
   Foi a partir deste momento que Judas, o Galileu, tornou-se chefe de um verdadeiro exército cada vez mais numeroso, que vivia refugiado nos planaltos, mas que possuía bases seguras em Jerusalém. Foi em uma dessas bases que ele encontrou pela primeira vez Judas que dali em diante passaria a ser chamado “Iscariotes” ou “o homem de Kheriot”, sua cidade natal. Mesmo nome, mesmo ideal: era preciso acabar o mais rápido possível com os Herodes e com o invasor romano, expulsar todos os demônios da terra santa através da fé e da força.
   Os zelotes eram apoiados pelo povo assoberbado pelos impostos, mas também pelos fariseus que, apesar de não aprovarem sua violência, compartilhavam do seu zelo pela rígida aplicação da Torah.
   Os zelotes consideravam os saduceus e os levitas, as grandes famílias sacerdotais que enriqueciam com a renda do templo e que colaboravam com o ímpio poder de Roma, inimigos de Deus e de seu povo. Os essênios, que tinham rompido com os grandes sacerdotes do templo, eram mais tolerados. Vivendo retirados no deserto, eles acreditavam que através da sua vida pura e de suas preces eles iriam apressar a manifestação do Mestre da Justiça que eles consideravam, se não como o Messias, como seu precursor.
   Para Judas, era evidente que o Messias anunciado pelos profetas seria também o “rei dos judeus” aguardado pelo povo e não proviria da linhagem de Herodes; sua descendência de origem idumaica era judia apenas “pela metade” e eles se conduziam como pagãos. (...)


Jean-Yves Leloup

Fonte: págs. 15-17, do livro “Judas e Jesus” duas faces de uma única revelação / Jean-Yves Leloup; tradução: Karin Andrea de Guise; Petrópolis, RJ : Vozes, 2007




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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Quase todos os grandes mamíferos transpiram, alguns mais visivelmente do que outros


FÍSICA – TEMPERATURA – EFEITO FISIOLÓGICO

Quase todos os grandes mamíferos transpiram, alguns mais visivelmente do que outros.



Quase todos os grandes mamíferos transpiram, alguns mais visivelmente do que outros.

Dr. Gino Segrè,
Professor de Física e Astronomia na Universidade da Pensilvânia. Especialista internacional da física teórica das partículas elementares de alta energia.

“Abanar acelera o resfriamento, mas, obviamente, o primeiro passo tem que ser a produção de líquido numa superfície da qual ele possa evaporar-se. Alguns cangurus e certos ratos esfriam-se lambendo o próprio pêlo e deixando que a saliva evapore, porém as duas técnicas de evaporação mais largamente usadas são arfar e transpirar.

   Os pássaros não têm glândulas sudoríparas, e certos mamíferos, como os cães, têm pouquíssimas delas; confiam numa forma de respiração curta, rápida e superficial, chamada arfada ou arquejo, para estimular a evaporação a partir da garganta. Essa técnica tem algumas vantagens, uma das quais está longe de ser óbvia: ela ajuda, literalmente, a manter a cabeça fria. A pequena gazela do leste africano, correndo a toda velocidade pelas planícies durante cinco minutos, gera tanto calor interno que sua temperatura central sobe de 39º para pouco mais de 43º. Ainda assim, seu cérebro, alimentado pelo sangue arterial que provém do corpo a 43º, mantém-se mais de três graus mais frio. A engenhosa adaptação que resfria o cérebro é um  subproduto da respiração acelerada do animal em fuga.o principal vaso sangüíneo que vai do tronco para o cérebro é a artéria carótida, que se ramifica em centenas de pequenas artérias na base do crânio, antes de tornar a se consolidar numa só, ao penetrar no cérebro. Na passagem em que ela se ramifica, o sangue é resfriado pelo fluxo rápido de ar que vem da garganta, adjacente a ela.

Esse interessante mecanismo de resfriamento é perfeitamente adequado para manter o funcionamento ótimo da capacidade decisória do animal em fuga. A gazela mantém uma temperatura cerebral mais ou menos constante, mesmo quando o resto de seu corpo se aquece. Por isso, os primeiros esforços do animal voltam-se para manter uma temperatura constante no centro de controle, o cérebro. O resto do corpo tem uma margem um pouco maior.

   Arfar tem outra vantagem, comparado ao transpirar. O líquido secretado no suor leva embora sais preciosos, daí as advertências costumeiras para que bebamos líquidos que contenham os minerais apropriados, quando transpirarmos em profusão. Na arfada, ao contrário, os minerais do organismo presentes na saliva permanecem no corpo. Mas arfar tem lá suas desvantagens, e uma das quais é que exige atividade muscular – uma atividade que, por si só, gera calor. (Isso é aliviado, em parte, pela respiração superficial rápida.) Nenhuma solução é perfeita. Todas são adaptações que os animais desenvolveram ao longo de períodos extensos., a fim de otimizar suas chances de sobrevivência.

“Os seres humanos perderam quase todos os seus pelos, deixando a pele nua. Essa cobertura externa tem cerca de dois milhões de glândulas sudoríparas, distribuídas pelo corpo todo, com uma densidade maior nas palmas das mãos e menor em outras áreas.”

   Quase todos os grandes mamíferos transpiram, alguns mais visivelmente do que outros. Até os camelos o fazem, embora isso não se faça notar muito no ar seco do deserto, porque o vapor d’água desaparece quase imediatamente. Os seres humanos perderam quase todos os seus pelos, deixando a pele nua. Essa cobertura externa tem cerca de dois milhões de glândulas sudoríparas, distribuídas pelo corpo todo, com uma densidade maior nas palmas das mãos e menor em outras áreas. Sob o controle do hipotálamo, as glândulas segregam um líquido levemente salgado. Essa secreção não é voluntária nem estimulada unicamente pelo meio ambiente; a tensão ou o nervosismo também induzem `as transpiração. A despeito disso, trata-se de um mecanismo de resfriamento muito eficiente, quando o aumento da atividade metabólica gera um calor corporal que tem que ser rapidamente dissipado. O aumento do suor pode não ser desejável quando se está com uma camisa e uma calça limpas, a caminho do escritório, mas o resfriamento rápido para auxiliar a fuga pode ter sido muito útil a nossos ancestrais que sobreviviam em regiões incultas.

   Há uma restrição à eficácia do resfriamento através da transpiração, da qual já falamos: é preciso que haja mais moléculas rápidas deixando a superfície do corpo do que chegando a ela. Quando o ar do lado de fora é úmido demais, o suor escorre do corpo sem que ocorra o resfriamento evaporativo necessário.

   A desidratação também pode constituir um problema. Em média, produzimos cerca de um litro de suor por dia, mesmo que não o percebamos, embora essa cifra possa cair a quase zero e elevar-se a até 15 litros, dependendo das condições climáticas e do nível de atividade. A perda de um volume próximo desse limite máximo acarreta o perigo da desidratação grave, possivelmente exigindo a reposição intravenosa de líquidos.

   Num dos artigos habituais do “Comentário” que Philip Morrison costumava escrever para a revista Scientific American, ele ilustrou o poder da sudorese e do abanar através do exame desses atletas supremos que são os ciclistas da Volta da França. Morrison conta como se saiu o grande Eddy Merckx, cinco vezes vencedor dessa prova, num experimento laboratorial em que pedalou apenas uma bicicleta estacionária. O homem que era capaz de subir e descer montanhas dia após dia, durante períodos de seis horas de cada vez, desabou numa poça de suor após uma única hora, num ginásio fechado e sem brisa. Por quê? Morrison fez as contas.

“Os ciclistas de competição comem o equivalente a seis refeições substanciais por dia, para conseguir a energia necessária, já que o ciclismo consome até mil calorias por hora, ou dez vezes mais do que a quantidade queimada em uma hora, quando se está sentado diante de uma escrivaninha”.

   Os ciclistas de competição comem o equivalente a seis refeições substanciais por dia, para conseguir a energia necessária, já que o ciclismo consome até mil calorias por hora, ou dez vezes mais do que a quantidade queimada em uma hora, quando se está sentado diante de uma escrivaninha. (A propósito, observe-se que Caloria, grafada com C maiúsculo, é a maneira convencional e às vezes confusa de designar uma quilocaloria [kcal], ou mil calorias. Uma Caloria é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de um quilograma de água em um grau Celsius. Tecnicamente, a água deve estar a 15 graus centígrados, mas isso é um detalhe. Num plano ainda mais técnico, houve uma redefinição recente da Caloria em termos de trabalho mecânico equivalente.)

   Durante os 22 dias de corrida da Volta da França, os ciclistas não ganham nem perdem peso e, portanto, o que acontece com a energia? Apenas 25% dela entram no trabalho mecânico de superar a resistência do ar e impulsionar a bicicleta. Os outros 75% são dissipados como calor corporal extra – tanto calor que o corredor precisa que uns 10 litros d’água evaporem de sua pele a cada dia de corrida, a fim de manter a temperatura constante. Isso requer a ingestão contínua de líquidos, mas o ciclista também precisa de uma brisa forte para auxiliar a evaporação; o deslocamento acelerado a uma velocidade de 40 quilômetros por hora ou mais até, proporciona essa brisa. A ausência de brisa significa saturação da pressão do vapor, falta de evaporação e acumulação de calor.

O resultado é que Eddy Merckx, que é capaz de correr à velocidade máxima durante oito horas, despenca de uma bicicleta estacionária, em estado de completa exaustão, depois de 60 minutos. Hoje em dia, os sobreviventes das atordoantes aulas das academias de ginástica podem atestar esse mesmo efeito. (...)

DR. GINO SEGRÈ

Fonte: págs. 26-29, do livro “Uma questão de graus”: o que a temperatura revela sobre o passado e o futuro de nossa espécie, nosso planeta e nosso universo; Gino Segrè; tradução de Vera Ribeiro. – Rio de Janeiro: Rocco, 2005.



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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Hidrogenação de óleos vegetais líquidos


MARGARINA - GORDURA HIDROGENADA

“A Prevenção é a

    melhor medicina!”


"O processo de hidrogenação de óleos vegetais líquidos, para criar produtos semi-sólidos como a margarina e a gordura hidrogenada



"O processo de hidrogenação de óleos vegetais líquidos, para criar produtos semi-sólidos como a margarina e a gordura hidrogenada."

"O processo de hidrogenação de óleos vegetais líquidos, para criar produtos semi-sólidos como a margarina e a gordura hidrogenada, causa preocupação especial. Essa semi-solidez é agradável ao paladar e positiva do ponto de vista comercial, por causa da longa vida de prateleira, mas indesejável do ponto de vista da saúde."

“Em geral, as gorduras hidrogenadas consistem em gordura saturada e ácidos graxos trans. Ambos causam agregação de células sangüíneas, contribuindo, assim, para a aterosclerose. A hidrogenação usa níquel e alumínio, e os resíduos desses metais nocivos permanecem nos produtos finais. Além disso, as gorduras hidrogenadas contêm fragmentos patológicos de ácidos graxos e uma miríade de outros subprodutos nocivos.”

(p. 93, Medicina da Imortalidade, Ray Kurzweil, Aleph)




“A Prevenção é a

    melhor medicina!”



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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Saiba qual a importância da Vitamina D no seu organismo


Saiba qual a importância da Vitamina D no seu organismo



Saiba qual a importância da Vitamina D no seu organismo

POR ANA PAULA SCINOCCA

06/04/2016,

Muito se fala em vitamina D e na importância dela para a saúde. Mas será que a melhora do nível de vitamina D está só relacionada com a exposição ao sol? O consumo de determinados alimentos pode ou não interferir na presença da vitamina em nosso organismo?
Para tirar essas e outras dúvidas sobre a vitamina D, pedimos ajuda para Bruna Pitaluga Peret Ottani (@brupitaluga), médica ginecologista e obstetra, pós-graduada em Nutrologia e membro do The Institute for Functional Medicine – IFM.

Em entrevista ao blog, Bruna afirma que a deficiência da vitamina D está relacionada sim a várias doenças. A especialista nos auxilia em como aumentar a presença da importante vitamina  em nosso organismo.

Qual a importância da vitamina D para a saúde?

Bruna – A deficiência de vitamina D está relacionada a várias doenças. Os trabalhos mostram que baixos níveis dessa vitamina se relacionam a doenças autoimunes, doença inflamatória intestinal, infecções bacterianas e virais, doenças cardiovasculares, câncer e doenças neurodegenerativas. Alguns pesquisadores, inclusive, defendem a classificação da vitamina D como hormônio por se tratar de um ativo derivado do colesterol com cascata de ativação que inclui precursores, receptores e um conjunto de enzimas próprias. Idosos, crianças, gestantes e mulheres amamentando, negros e obesos têm maior chance de desenvolver deficiência de vitamina D.

Como aumentar os índices de vitamina D?

Bruna – A vitamina D é classicamente denominada a vitamina do sol. A exposição solar leva a nossa pele a iniciar uma séria de reações bioquímicas que culminam com a produção da vitamina D ativa (calcitriol). No entanto, usar produtos químicos na pele, como protetor solar ou bronzeador, impedem que essas reações aconteçam. O ideal seria que uma pessoa se expusesse, por pelo menos trinta minutos por dia, com a maior superfície corpórea descoberta, e não se lavasse por até trinta minutos depois dessa exposição para que ocorra a conversão na pele e níveis mínimos aceitáveis no sangue. O melhor horário seria ao meio-dia por questões relacionadas à luz solar, mas a exposição pode ser feita no começo da manhã ou no final da tarde.Alguns alimentos também podem ser naturalmente fonte dessa vitamina, como bacalhau, salmão selvagem e ovos. Por outro lado, a indústria alimentícia já usa vitamina D para enriquecer alguns compostos.
Além disso, existe a suplementação de vitamina D prescrita por médico através da utilização de diferentes excipientes (cápsula, gota, comprimido sublingual ou injeção).

Qual o nível ideal de vitamina D para crianças e adultos?

Bruna – Muito se debate sobre os valores séricos (o dosado no sangue) normais para vitamina D. Atualmente, valores acima de 30 ng/mL são considerados normais. No entanto, muitas pesquisas têm sido feitas aceitando níveis bem mais elevados. Por exemplo, nos trabalhos que acompanham pessoas com esclerose múltipla, e que são tratadas com altas doses de vitamina D, os níveis séricos chegam a 100ng/mL sem qualquer prejuízo. Já é uma tendência internacional considerar o nível ótimo entre 50-80ng/mL. Para crianças, os valores considerados normais seriam os mesmos.

Quais os sinais que o corpo emite que podem ser indicativos de que os índices estão abaixo do mínimo aceitável?

Bruna – Se a pessoa fica gripada ou resfriada com frequência pode ser um sinal de deficiência de vitamina D, assim como alterações na concentração e no humor, fácil irritabilidade, fraqueza e alterações do sono. Por ser uma vitamina que regula vários sistemas no nosso corpo, os sinais e sintomas variam de pessoa para pessoa. O exame mais acurado envolve dosar a vitamina D (na forma de 25-hidroxivitamina D3 – calcidiol) no sangue. Alguns medicamentos interferem na absorção e utilização da vitamina D, como antiácidos, corticóides, laxativos e quimioterapia. A ingestão de bebidas alcóolicas também causa essa interferência. Portanto, é recomendável que os usuários desses medicamentos e os que ingerem etílicos fiquem ainda mais vigilantes quanto ao nível sérico de vitamina D3.

Pesquisas indicam que a vitamina D pode ser uma importante aliada no combate ao câncer e também no tratamento de doenças autoimunes. Qual a sua opinião sobre isso?

Bruna – Existem milhares de publicações científicas que relacionam baixos níveis de vitamina D com essas doenças. A correlação entre vitamina D e câncer se dá porque existe uma promoção do crescimento e diferenciação celular bem como controle da morte celular (apoptose) por essa vitamina. Na imunomodulação, a vitamina D interfere na diferenciação de algumas células do sistema imunológico, como monócitos a macrófagos, estimula a atividade fagocitária e inibe a produção de algumas substâncias que, em excesso, podem ser danosas, como o TNFalfa (fator de necrose tumoral alfa).

Estar com um bom índice de vitamina D pode ajudar no processo de emagrecimento?

Bruna – Com certeza! A vitamina D faz a manutenção da produção de insulina no pâncreas. Portanto, baixos níveis séricos dessa vitamina diminuem a produção de insulina e elevam os níveis de glicose no sangue. Quanto maior o nível de glicose maiores as chances de desenvolver resistência à insulina e, futuramente, diabetes.





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"A vitamina D faz a manutenção da produção de insulina no pâncreas. Portanto, baixos níveis séricos dessa vitamina diminuem a produção de insulina e elevam os níveis de glicose no sangue. Quanto maior o nível de glicose maiores as chances de desenvolver resistência à insulina e, futuramente, diabetes."





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