Saiba qual a importância da Vitamina D no seu organismo
Saiba qual a importância da Vitamina D no seu
organismo
POR ANA PAULA SCINOCCA
06/04/2016,
Muito se fala em vitamina
D e na importância dela para a saúde. Mas será que a melhora do nível de
vitamina D está só relacionada com a exposição ao sol? O consumo de
determinados alimentos pode ou não interferir na presença da vitamina em nosso
organismo?
Para tirar essas e outras dúvidas sobre a vitamina D, pedimos
ajuda para Bruna Pitaluga Peret Ottani
(@brupitaluga), médica ginecologista e obstetra, pós-graduada em Nutrologia e
membro do The Institute for Functional Medicine – IFM.
Em entrevista ao blog, Bruna afirma que a deficiência da
vitamina D está relacionada sim a várias doenças. A especialista nos auxilia em
como aumentar a presença da importante vitamina em nosso organismo.
Qual a importância da vitamina D para a saúde?
Bruna – A deficiência de vitamina D está relacionada a várias
doenças. Os trabalhos mostram que baixos níveis dessa vitamina se relacionam a
doenças autoimunes, doença inflamatória intestinal, infecções bacterianas e
virais, doenças cardiovasculares, câncer e doenças neurodegenerativas. Alguns
pesquisadores, inclusive, defendem a classificação da vitamina D como hormônio
por se tratar de um ativo derivado do colesterol com cascata de ativação que
inclui precursores, receptores e um conjunto de enzimas próprias. Idosos,
crianças, gestantes e mulheres amamentando, negros e obesos têm maior chance de
desenvolver deficiência de vitamina D.
Como aumentar os índices de vitamina D?
Bruna – A vitamina D é classicamente denominada a vitamina do
sol. A exposição solar leva a nossa pele a iniciar uma séria de reações
bioquímicas que culminam com a produção da vitamina D ativa (calcitriol). No
entanto, usar produtos químicos na pele, como protetor solar ou bronzeador,
impedem que essas reações aconteçam. O ideal seria que uma pessoa se expusesse,
por pelo menos trinta minutos por dia, com a maior superfície corpórea
descoberta, e não se lavasse por até trinta minutos depois dessa exposição para
que ocorra a conversão na pele e níveis mínimos aceitáveis no sangue. O melhor
horário seria ao meio-dia por questões relacionadas à luz solar, mas a
exposição pode ser feita no começo da manhã ou no final da tarde.Alguns
alimentos também podem ser naturalmente fonte dessa vitamina, como bacalhau,
salmão selvagem e ovos. Por outro lado, a indústria alimentícia já usa vitamina
D para enriquecer alguns compostos.
Além disso, existe a suplementação de vitamina D prescrita por
médico através da utilização de diferentes excipientes (cápsula, gota,
comprimido sublingual ou injeção).
Qual o nível ideal de vitamina D para crianças e adultos?
Bruna – Muito se debate sobre os valores séricos (o dosado no
sangue) normais para vitamina D. Atualmente, valores acima de 30 ng/mL são
considerados normais. No entanto, muitas pesquisas têm sido feitas aceitando
níveis bem mais elevados. Por exemplo, nos trabalhos que acompanham pessoas com
esclerose múltipla, e que são tratadas com altas doses de vitamina D, os níveis
séricos chegam a 100ng/mL sem qualquer prejuízo. Já é uma tendência
internacional considerar o nível ótimo entre 50-80ng/mL. Para crianças, os
valores considerados normais seriam os mesmos.
Quais os sinais que o corpo emite que podem ser indicativos de
que os índices estão abaixo do mínimo aceitável?
Bruna – Se a pessoa fica gripada ou resfriada com frequência
pode ser um sinal de deficiência de vitamina D, assim como alterações na
concentração e no humor, fácil irritabilidade, fraqueza e alterações do sono.
Por ser uma vitamina que regula vários sistemas no nosso corpo, os sinais e
sintomas variam de pessoa para pessoa. O exame mais acurado envolve dosar a
vitamina D (na forma de 25-hidroxivitamina D3 – calcidiol) no sangue. Alguns
medicamentos interferem na absorção e utilização da vitamina D, como
antiácidos, corticóides, laxativos e quimioterapia. A ingestão de bebidas alcóolicas
também causa essa interferência. Portanto, é recomendável que os usuários
desses medicamentos e os que ingerem etílicos fiquem ainda mais vigilantes
quanto ao nível sérico de vitamina D3.
Pesquisas indicam que a vitamina D pode ser uma importante aliada
no combate ao câncer e também no tratamento de doenças autoimunes. Qual a sua
opinião sobre isso?
Bruna – Existem milhares de publicações científicas que
relacionam baixos níveis de vitamina D com essas doenças. A correlação entre
vitamina D e câncer se dá porque existe uma promoção do crescimento e
diferenciação celular bem como controle da morte celular (apoptose) por essa
vitamina. Na imunomodulação, a vitamina D interfere na diferenciação de algumas
células do sistema imunológico, como monócitos a macrófagos, estimula a
atividade fagocitária e inibe a produção de algumas substâncias que, em
excesso, podem ser danosas, como o TNFalfa (fator de necrose tumoral alfa).
Estar com um bom índice de vitamina D pode ajudar no processo de
emagrecimento?
Bruna – Com certeza! A vitamina D faz a manutenção da produção
de insulina no pâncreas. Portanto, baixos níveis séricos dessa vitamina
diminuem a produção de insulina e elevam os níveis de glicose no sangue. Quanto
maior o nível de glicose maiores as chances de desenvolver resistência à
insulina e, futuramente, diabetes.
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"A vitamina D faz a manutenção da produção de insulina no
pâncreas. Portanto, baixos níveis séricos dessa vitamina diminuem a produção de
insulina e elevam os níveis de glicose no sangue. Quanto maior o nível de
glicose maiores as chances de desenvolver resistência à insulina e,
futuramente, diabetes."
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