SONO – RELÓGIO BIOLÓGICO:
“SONO
E CONSCIÊNCIA”
“SONO E CONSCIÊNCIA”
Por Dr. Stanley Coren
Neuropsicólogo
Acho
que a maioria das pessoas classifica comer e fazer sexo entre as atividades
mais importantes da vida. Se eu perguntasse por que, você daria como prova o
tempo que passa se dedicando a elas (ou pelo menos pensando nelas). Mas, até
para os gulosos e os sedutores profissionais, ele não é nada perto do tempo que
passamos dormindo. Por exemplo, se você chegar aos setenta anos de idade
dormindo a média normal, completará 200 mil horas de sono. Se nossa espécie
dedica tanto tempo a essa atividade, só pode ser porque ela tem uma função
importante, talvez crucial. Porém, só nos anos 50 começamos a compreender o que
é o sono de fato.
Ao observar uma pessoa ou um animal
dormindo, notamos várias características comuns que definem tal comportamento:
· O
sono está, em geral, associado a uma postura corporal. Seria muito estranho ver
uma pessoa dormindo em pé. Para incentivar alguém a dormir, costumamos pedir
que se deite.
· Dormir
envolve grande redução da atividade física. Apesar de haver movimentos durante
o sono, ninguém espera que pessoas ou animais caminhem pelas ruas.
· Em
geral, há um lugar específico, reservado para dormir. Seja um ninho ou toca,
seja um quarto ou, no mínimo, uma cama.
· Dormir
costuma ser uma atividade diária que ocorre em horários regulares e mais ou
menos previsíveis: o homem dorme à noite, enquanto o tigre e o leão dorme em
dois períodos: um à noite e outro no meio da tarde.
· Quando
estão dormindo, as pessoas ficam menos atentas e menos sensíveis às mudanças
ambientais. É por isso que você se lembra muito pouco daquele programa de
televisão durante o qual tirou uma soneca.
Se você estudasse o sono apenas observando
as características mencionadas acima, aprenderia muito pouco e ficaria
entediado. Talvez por isso, entre 1930 e 1950, apenas um grande cientista teve
interesse em estudá-lo. Nathaniel Kleitman, professor de fisiologia na
Universidade de Chicago, iniciou-se no estudo do sono com os mesmos
preconceitos de hoje: achando que o corpo era como um automóvel e que o cérebro
correspondia ao motor. Dormir seria como deixar o carro estacionado: durante o
sono, o corpo torna-se inativo, o cérebro se desliga e só volta à atividade
quando ligado pela manhã. A única
diferença, admitia \Kleitman, era que o cérebro não se desligava totalmente;
apenas funcionava em ritmo mais lento (como um
motor em baixa rotação), com eventuais interrupções que podiam aparecer
sob a forma de sonhos. Em seu livro ‘Sleep and Wakefulness’ [Sono e
Vigília], de 1939, Kleitman descreve o
sono como “uma cessação ou interrupção periódica do estado de vigília, sendo
este o modo de vida predominante do adulto sadio.”
Na época em que Kleitman começou a estudar o
sono havia poucos métodos de obtenção de dados confiáveis sobre o assunto,
visto que, quando estão dormindo, as pessoas não podem relatar o que sentem e, quando
o pesquisador as acorda para saber, elas não estão mais dormindo.
Para o cientista, as incertezas não se
encerram, pois um problema adicional é que as pessoas não conseguem relatar
seus padrões de sono. Certa vez, colaborei numa pesquisa sobre interrupções do
sono em um adulto jovem. Ele era acordado a cada meia hora e, para garantir que
estava desperto, fazíamos perguntas simples como “Que dia é hoje?”, “Quanto dá
seis mais três?” Depois de despertá-lo quinze vezes, deixamos que dormisse até
acordar naturalmente. Pela manhã, perguntamos se tinha dormido bem.
“Muito bem, passei uma noite ótima!”,
respondeu.
“Lembra-se de alguma coisa sobre a noite
passada?”, perguntamos.
“Quase nada. Acho que sonhei,mas não consigo
me lembrar. Parece que num dos sonhos eu estava aqui no laboratório e alguém
falava comigo; não me lembro do quê. Acho que acordei uma vez e ouvi vocês
somando alguns números. Fora isso, não acordei nenhuma vez desde ontem à noite”.
Esse depoimento, embora pareça estranho, é
muito comum. Pessoas que sofrem de distúrbios do sono (como apnéia do sono,
como veremos mais adiante), às vezes acordam centenas de vezes por noite e,
apesar de sonolentas e cansadas no dia seguinte, não se lembram de ter
acordado.
(...)
Fonte:
págs. 19-20, do livro “Ladrões de Sono”, Um alerta sobre os riscos de
contrariar nosso relógio biológico; Stanley Coren; Tradução: Regina
Gomes de Souza; São Paulo, Cultura Editores Associados.
Gomes de Souza; São Paulo, Cultura Editores Associados.
--- EU SOU SAUDÁVEL! ---
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