domingo, 28 de julho de 2019

BIOLOGIA MOLECULAR - Estudo da biologia em nível molecular


BIOLOGIA MOLECULAR

Biologia Molecular




Biologia Molecular


Biologia Molecular é o estudo da Biologia em nível molecular, com especial foco no estudo da estrutura e função do material genético e seus produtos de expressão, as proteínas.

Investiga as interações entre os diversos sistemas celulares, incluindo a relação entre DNA, RNA e síntese proteica. É um campo de estudo vasto, que abrange outras áreas da Química, em especial Genética e Bioquímica.

 

Biologia Molecular


Biólogos moleculares normalmente focam seus estudos na genética, DNA, produção de proteínas e no material genético como um todo. No entanto, seu campo de estudos é bem amplo.

Nesta área da biologia são frequentemente combinadas técnicas e ideias provindas da Microbiologia, Genética, BioquímicaBiofísica. Historicamente, a Microbiologia exerceu um papel fundamental no desenvolvimento da Biologia Molecular, pois a maioria dos conceitos-chave e das técnicas de Biologia Molecular se originou a partir de estudos e experimentos realizados principalmente com bactérias, fungos e vírus (especialmente bacteriófagos, que são vírus que infectam bactérias).

Células endoteliais da artéria pulmonar bovina

Não existindo distinções muito definidas entre as disciplinas mencionadas, pode-se considerar a B. M. na interface entre a Bioquimica e a Genética.

A Bioquímica define-se, de uma forma geral, como o estudo das reações químicas em organismos vivos; a Genética ocupa-se especificamente do estudo das consequências de diferenças no material genético nos organismos.

A Biologia Molecular ocupa então um espaço próprio, mas relacionando conhecimentos dos dois campos, ao investigar os mecanismos de replicação, transcrição e tradução do material genético.

 

Técnicas em Biologia Molecular


Samantha Pellegrino, técnica em Filogenética molecular preparando amostras

Muitos trabalhos relacionam-se com a obtenção, identificação e caracterização de genes.

Para tal, diversas técnicas biológicas já foram desenvolvidas, como reação em cadeia de polimerase (PCR), electroforese em gel, Southern blot, Northern blot, Western blot, entre outras.

A eletroforese em gel é uma das principais ferramentas. Em geral, DNA, RNA e proteínas podem ser separados segundo o seu tamanho numa matriz usando um campo elétrico aplicado. Na eletroforese em gel de agarose, o DNA ou o RNA é separado fazendo a amostra migrar através de um gel de agarose. 

Muito da investigação da área é relativamente recente, e muitos trabalhos têm sido feitos recorrendo-se à Bioinformática e Biologia Computacional. Estes recursos tornaram o estudo da estrutura e função de genes, ou Genética Molecular, num dos campos mais proeminentes em Biologia Molecular.

Fonte:


GLOSSÁRIO:

Biologia Molecular é o estudo da Biologia em nível molecular, com especial foco no estudo da estrutura e função do material genético e seus produtos de expressão, as proteínas. Investiga as interações entre os diversos sistemas celulares, incluindo a relação entre DNA, RNA e síntese proteica.

Biologia Molecular é o estudo da Biologia em nível molecular, com especial foco no estudo da estrutura e função do material genético e seus produtos de expressão, as proteínas. Investiga as interações entre os diversos sistemas celulares, incluindo a relação entre DNA, RNA e síntese proteica. É um campo de estudo vasto, que abrange outras áreas da Química, em especial Genética e Bioquímica.

Filogenética molecular. A filogenética molecular, também conhecida como sistemática molecular, é o uso das estruturas das moléculas para se obter informação sobre as relações evolutivas de um organismo.
É o ramo da filogenia que analisa as diferenças moleculares hereditárias, principalmente em sequências de DNA. O resultado de uma análise filogenética molecular é expresso em uma árvore filogenética.

Filogenia. [Evolução] história evolutiva de uma espécie ou qualquer outro grupo taxonômico; filogênese, filogenesia.

Genética molecular. Genética molecular: A genética molecular estuda a estrutura e a função dos genes usando métodos da genética e da biologia molecular. O estudo dos cromossomos e da expressão gênica de um organismo pode dar uma visão da hereditariedade, variação genética e mutações. Isto é útil no estudo da biologia do desenvolvimento e na compreensão e tratamento de doenças genéticas.





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O QUE É TAQUICARDIA? - O QUE É BRADICARDIA?


SAÚDE – CARDIOLOGIA

O QUE É TAQUICARDIA?
RITMO CARDÍACO ACELERADO


O QUE É TAQUICARDIA?

RITMO CARDÍACO ACELERADO


DEFINIÇÃO

Taquicardia é um aumento da frequência cardíaca, mais de 100 batidas por minuto, que pode tanto começar nas câmaras inferiores do coração (ventrículos) quanto nas câmaras superiores (átrios). Com estes ritmos elevados, o coração não consegue bombear eficientemente o sangue rico em oxigênio para o resto do seu corpo. 

CAUSAS

A taquicardia pode ocorrer por várias razões. A causas mais comuns incluem:

  • Condições relacionadas ao coração, tais como pressão arterial elevada (hipertensão)
  • Pobre suprimento sanguíneo para o músculo cardíaco devido à doença arterial coronariana (aterosclerose), doença valvular cardíaca, insuficiência cardíaca, doença do músculo do coração (cardiomiopatia), tumores ou infecções
  • Outras condições médicas, como doenças da tireoide, certas doenças pulmonares, desequilíbrio eletrolítico e abuso de álcool ou drogas
  • Estresse emocional ou beber grandes quantidades de bebidas alcoólicas ou com cafeína

SINTOMAS

Quando seu coração bate muito rápido, você pode apresentar vários sintomas. Esses sintomas incluem:

  • Falta de ar
  • Tontura
  • Fraqueza repentina
  • Vibração no peito
  • Atordoamento
  • Desmaios

FATORES DE RISCO

Certas condições podem aumentar seu risco de desenvolver uma pulsação anormalmente rápida (taquicardia), incluindo:

  • Doença arterial coronariana (aterosclerose)
  • Insuficiência cardíaca (bombeamento insuficiente do coração)
  • Ataque cardíaco (infarto do miocárdio)
  • Problemas cardíacos congênitos (condição com a qual se nasce)
  • Doenças inflamatórias ou degenerativas do coração
  • Doença pulmonar crônica

OPÇÕES DE TRATAMENTO

A taquicardia pode ser atrial (nas câmaras superiores do coração) ou ventricular (nas câmaras inferiores do coração) e a estratégia de tratamento pode variar, dependendo do tipo de taquicardia que se possui. Seu cardiologista irá determinar o tratamento que é melhor para a sua condição e também poderá discutir mudanças de estilo de vida com você.
Os tipos de tratamento variam de medicação a cirurgia. Para milhares de pessoas a cada ano, um desfibrilador implantável monitora o coração e oferece terapias que salvam vidas, tratando ritmos cardíacos perigosamente rápidos e/ou lentos. Outras opções de tratamento incluem:

TRATAMENTOS DE TAQUICARDIA VENTRICULAR

  • Medicamentos
  • Cardioversores desfibriladores implantáveis (CDIs)
  • Desfibrilador automático externo (DAE)

TRATAMENTOS DA FIBRILAÇÃO VENTRICULAR

  • Desfibrilação externa
  • Cardioversores desfibriladores implantáveis (CDIs)
  • Medicamentos

TRATAMENTOS DA PALPITAÇÃO ATRIAL

  • Medicamentos

TRATAMENTOS DA FIBRILAÇÃO ATRIAL

  • Medicamentos
  • Ablação do cateter cardíaco
  • Cardioversão
  • Cardioversores desfibriladores implantáveis (CDIs)
  • Cirurgia 

As informações contidas neste site não devem ser usadas no lugar de consultas médicas. Sempre converse com o seu médico para obter diagnósticos e informações de tratamento.





O que É BRADICARDIA?
BATIMENTO CARDÍACO LENTO

DEFINIÇÃO

A bradicardia é o ritmo cardíaco irregular ou lento, normalmente com menos de 60 batimentos por minuto. Nesse ritmo, o coração não consegue bombear o sangue rico em oxigênio de forma suficiente para o seu corpo durante uma atividade ou exercício físico. Consequentemente, você sofre de tontura, falta de energia crônica, falta de ar, ou até mesmo de desmaios.

CAUSAS

A bradicardia pode ocorrer por várias razões. A causas mais comuns incluem:

  • Doença cardíaca congênita (ou seja, você já nasceu com ela)
  • Certos efeitos colaterais ou medicamentos para o coração
  • O processo de envelhecimento natural
  • Tecido cicatricial de um ataque cardíaco
  • Síndrome do nó sinusal, também chamada de disfunção do nó sinusal (o marca-passo natural do coração não funciona corretamente)
  • Bloqueio cardíaco (o impulso elétrico que vai desde os átrios até os ventrículos fica irregular ou bloqueado)

SINTOMAS

Quando seu coração bate muito devagar, você pode apresentar vários sintomas. Esses sintomas, que incluem tontura, desmaios, falta de energia crônica e falta de ar ajudam o médico a avaliar a gravidade das condições do seu coração e a determinar o melhor tratamento para você.

  • Tontura
  • Falta de energia crônica
  • Falta de ar
  • Desmaios

FATORES DE RISCO

O risco de você desenvolver um ritmo cardíaco lento anormal (bradicardia) é maior se você:

  • Apresentar determinados tipos de doenças cardíacas
  • Estiver tomando certos medicamentos
  • Estiver com mais de 65 anos
  • Tiver passado por cirurgia cardíaca recentemente

OPÇÕES DE TRATAMENTO

A estratégia de tratamento para a bradicardia vai depender da causa da lentidão dos batimentos cardíacos, além dos sintomas do paciente. Se algum outro problema de saúde, como o hipotireoidismo, estiver causando essa lentidão, tratá-lo pode indiretamente afetar a bradicardia.
Tratar esses problemas com uma nova medicação, ou ajustar as dosagens dos remédios que já estejam sendo usados, pode restabelecer os batimentos cardíacos ao nível normal.

Se os danos ao sistema elétrico do coração estiverem causando os batimentos lentos, você pode precisar de um dispositivo cardíaco implantável chamado marca-passo.
Marca-passos são dispositivos implantados por baixo da pele, com mais frequência por baixo da clavícula, do lado esquerdo ou direito do peito, para ajudar a restabelecer o ritmo cardíaco.
Ao enviar pequenos sinais elétricos ao coração para aumentar a frequência cardíaca, o marca-passo alivia os sintomas da bradicardia.



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GLOSSÁRIO:

Artéria aorta. aorta é a principal artéria do corpo humano. Ela sai do ventrículo esquerdo do coração e segue em direção a raiz do pulmão esquerdo. Depois ela passa através do diafragma até chegar ao abdômen e se divide, no nível da quarta vértebra lombar, nas artérias ilíacas direita e esquerda.

Átrios. Átrio é também o nome que recebe as duas cavidades existente no coração, ou seja, o coração possui doisátrios.

Bradicardia é um termo utilizado na medicina para designar uma diminuição na frequência cardíaca. Convenciona-se como normal no ser humano uma frequência cardíaca entre 60 e 100 batimentos por minuto. Frequências abaixo de 60 constituem a bradicardia.

Cardiomiopatia. A condição compromete a capacidade de bombear sangue, podendo levar à insuficiência cardíaca. Existem quatro tipos diferentes de cardiomiopatia. O mais comum é a cardiomiopatia dilatada, que atinge pessoas de 20 a 60 anos, e ocorre quando o coração não bombeia sangue suficiente.

Taquicardia é um aumento da frequência cardíaca, mais de 100 batidas por minuto, que pode tanto começar nas câmaras inferiores do coração (ventrículos) quanto nas câmaras superiores (átrios). Com estes ritmos elevados, o coração não consegue bombear eficientemente o sangue rico em oxigênio para o resto do seu corpo.

Ventrículos. Ventrículos são as câmaras do coração cuja função é bombear o sangue para a circulação sistémica, através da artéria aórta, no caso do ventrículo esquerdo, e para a circulação pulmonar, através da artéria pulmonar, no caso do ventrículo direito.


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sexta-feira, 26 de julho de 2019

JUDAS ISCARIOTES: TRAIDOR OU HERÓI?


JUDAS ISCARIOTES: TRAIDOR OU HERÓI?



JUDAS ISCARIOTES: TRAIDOR OU HERÓI?

Documentos históricos questionam a imagem de vilão do apóstolo acusado de trair Jesus Cristo

LIA HAMA

Judas Iscariotes, o apóstolo que, por 30 moedas, entregou Jesus Cristo aos soldados romanos que o crucificaram, não foi um traidor, mas, sim, um herói. Judas agiu dessa maneira a pedido do próprio Jesus, que tinha de ser crucificado para voltar como o salvador da humanidade. Essa interpretação ganhou força graças a um antigo manuscrito do século 4 que só agora, depois de quase 17 séculos, foi revelado ao público. Chamado de Evangelho de Judas, o documento foi descoberto nos anos 1970 numa caverna no Egito e resistiu ao tempo graças ao clima seco da região. Desde então o manuscrito passou por diversas mãos até ser entregue em 2001 à Fundação Mecenas, em Basiléia, na Suíça. Trata-se de um documento de 31 páginas de papiro, cujo texto em egípcio antigo (o copta) teria sido escrito pelos cainitas, uma seita herética do início do cristianismo. O conteúdo, divulgado na Páscoa de 2017 pela revista National Geographic, é motivo de acalorados debates dentro e fora da Igreja Católica e, acima de tudo, revela quão pouco ainda sabemos sobre a vida de Jesus Cristo.

Há registros sobre a existência do Evangelho de Judas desde o século 2, quando Irineu, bispo de Lyon, na Gália romana, escreveu um tratado intitulado Contra as Heresias, no qual condena os cainitas por venerarem Judas. “Eles (os cainitas) produziram uma história fictícia, a qual chamam de Evangelho de Judas”, afirma o texto, escrito no ano 180. Estudiosos apontam que o manuscrito recentemente traduzido pelo suíço Rodolphe Kasser, um dos maiores especialistas em língua copta do mundo, é do século 4 e seria uma versão do original grego do século 2 a que se refere Irineu. O bispo de Lyon indicou os quatro evangelhos canônicos – de Mateus, de João, de Marcos e de Lucas – como os únicos que os cristãos deveriam ler. Sua lista acabou se tornando a política oficial da Igreja e perdura até hoje. Os demais manuscritos dos primórdios do cristianismo foram considerados apócrifos (não reconhecidos pela Igreja), entre eles o Evangelho de Maria, sobre Maria Madalena, e o Evangelho de Judas. Acredita-se que os autores dos textos apócrifos pertenciam, em sua maioria, ao gnosticismo, movimento religioso que rivalizou com a Igreja Católica nos primeiros séculos depois de Cristo.

Por essa razão, Judas sempre foi tido como um dos grandes vilões da Bíblia. Basta olhar no dicionário: judas é sinônimo de traidor, do indivíduo que trai a confiança dos outros. Todos os anos, em dezenas de países, bonecos feitos à sua imagem são malhados e queimados em praça pública no Sábado de Aleluia. Um castigo simbólico contra alguém que, segundo os evangelhos tradicionais, entregou o mestre aos carrascos no Jardim das Oliveiras, identificando-o com um beijo na face. Na nova interpretação, no entanto, Judas teria agido a pedido de Jesus, mesmo sabendo que depois seria perseguido por causa de seu ato. “Você será amaldiçoado”, teria alertado Jesus a Judas, seu discípulo favorito. Cumprida sua missão, Judas não teria se enforcado, como registram os evangelhos canônicos, mas se retirado para meditar no deserto.

“Essa descoberta espetacular de um texto antigo, não-bíblico, é considerada por especialistas uma das mais importantes atualizações dos últimos 60 anos no que se refere ao nosso conhecimento sobre a história e a diferentes opiniões teológicas sobre o começo da era cristã”, afirmou Terry Garcia, vice-presidente-executivo da National Geographic, ao divulgar o manuscrito. A opinião é compartilhada pelo especialista em escrituras bíblicas Charles Hedrick, professor da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos. “Nesse texto, Judas não é o vilão. É o mocinho”, afirma. Na principal passagem do documento, Jesus diz a Judas: “Tu superarás todos eles. Tu sacrificarás o homem que me cobriu”. Segundo estudiosos, a frase significa que Judas ajudaria a libertar o espírito de Jesus de seu invólucro carnal.

Culpa dos judeus

Apesar da nova versão que veio agora à tona, a imagem de Judas cristalizada no imaginário popular é a do “vilão sinistro”, disposto a fazer qualquer coisa por dinheiro. Há quem diga que a construção dessa imagem fez parte de uma tentativa cristã de disseminar o anti-semitismo. Para se desvincular do judaísmo, cristãos teriam achado conveniente responsabilizar os judeus pela execução de Cristo e teriam usado a imagem de Judas para criar o estereótipo judeu. Assim, o governador romano Pôncio Pilatos teria um papel bem menor que o de sacerdotes judeus e Judas na morte de Jesus. Em pinturas da Idade Média, Judas é retratado com um nariz grande e adunco, em traços exagerados, geralmente associados aos semitas. Em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, ele é relegado ao último dos círculos do Inferno, onde é devorado por Lúcifer. O teólogo Fernando Altemeyer, professor da PUC-SP, lembra que Judas não foi o único apóstolo a trair Jesus: “Os outros também o fizeram, ao abandonar o mestre. Pedro, por exemplo, negou o amigo três vezes”. O único a levar a culpa, no entanto, foi Judas.

Apesar de toda a polêmica, o Vaticano deixou claro que a divulgação do manuscrito não representará qualquer mudança de sua posição. O jornal britânico The Times afirmou que o monsenhor Walter Brandmuller, presidente do Comitê Pontifício para Ciências Históricas, estaria liderando uma comissão do Vaticano para reabilitar Judas – informação rapidamente negada por Brandmuller. “Não há nenhuma campanha no Vaticano, nenhum movimento para a reabilitação do traidor de Jesus”, afirmou o monsenhor, que definiu o documento como um “produto de uma fantasia religiosa”. Segundo Brandmuller, apesar de lançar luzes para melhor compreensão do cristianismo primitivo, o texto continuará sendo considerado herético pela Igreja Católica. Parece que ainda não será dessa vez que o último dos apóstolos conseguirá reverter a sua imagem de vilão.

As peripécias do papiro

Depois de ter sido descoberto no Egito nos anos 1970, o papiro com o Evangelho de Judas foi provavelmente roubado e contrabandeado. Em 2000, o documento chegou às mãos de uma comerciante grega de antiguidades e, no ano seguinte, foi entregue à Fundação Mecenas, na Suíça, para ser restaurado e traduzido. O acordo envolveu a National Geographic, que teria pago cerca de 1 milhão de dólares pelos direitos de publicação da história.

Saiba Mais

Judas: Betrayer or Friend of Jesus? William Klassen, Fortress, 1996
Defende que muitas das idéias sobre o apóstolo são equivocadas e fruto de interpretações malfeitas da Bíblia.

O Evangelho de Judas, Simon Mawer, Ediouro, 2001
Romance sobre um padre católico que descobre um manuscrito que pode abalar os fundamentos do cristianismo.





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domingo, 21 de julho de 2019

“SISTEMAS REGULADORES” - Gino Segrè


SAÚDE / TEMPERATURA / GINO SEGRÈ / FÍSICA

“SISTEMAS REGULADORES”

--- “Os mecanismos reguladores que nos mantêm quase sempre na faixa normal são dirigidos por um sistema-mestre de controle, inserido nas profundezas do cérebro.” ---



“SISTEMAS REGULADORES”


--- “Os mecanismos reguladores que nos mantêm quase sempre na faixa normal são dirigidos por um sistema-mestre de controle, inserido nas profundezas do cérebro.” ---


GINO SEGRÈ, 

A rigor, 37ºC representam apenas uma abreviatura conveniente, pois as medições variam, ainda que de modo previsível, nos limites de nosso corpo. A temperatura de nossa pele costuma ficar uns seis graus abaixo de nossa temperatura interna, como se pode verificar. facilmente, ao segurar um termômetro entre os dedos, em vez de colocá-lo sob a língua. Os resultados orais e retais também diferem, sendo este último, comumente, cerda de um grau mais alto que o primeiro.  A temperatura interna varia entre os órgãos, dependendo do metabolismo e do fluxo sangüíneo. Antes mesmo que se medisse a temperatura, nosso ancestrais achavam que a parte mais quente do corpo era o coração e, em particular, o coração dos “tipos de sangue quente”. Agora, em termos mais prosaicos, descobrimos que o fígado, nitidamente menos passional e em geral situado perto dos 40,5ºC, tem a honra de ser o mais quente.

   Na idéia de todos os seres humanos terem a mesma temperatura corporal devia parecer muito curiosa antes do século XVII. Só existiam termômetros rudimentares e nenhum deles era usado para fazer verificações cuidadosas, comparando um ser humano com outros. Havia uma suposição de que a temperatura do corpo, medida apenas externamente e, ainda por cima, de maneira tosca, refletia o clima local e, era mais alta nos trópicos que nas regiões temperadas.

O primeiro problema enunciado no influente De logística médica, de Johannes Hasler, publicado em 1578, é: “descubra o grau de temperatura natural de cada homem, tal como determinado por sua idade, pela época do ano, pela elevação do pólo (isto é, a latitude) e por outras influências;” As tabelas detalhadas de Hasler indicam aos médicos como misturar seus medicamentos de acordo com graus de calor e frio, com as necessidades do paciente e com as características de seu meio. É claro que a idéia de a febre estar associada à doença era bem conhecida por Hasler. Por isso é que ele alertava os que exerciam a profissão a ficarem atentos às mudanças de temperatura.

   Sabemos que nossa temperatura corporal não varia de acordo com nossa localização. Ela efetivamente passa por ligeiras mudanças conforme a hora do dia, elevando-se aos poucos até atingir um pico no meio da tarde, tipicamente 0,8 graus acima do mínimo verificado à noite; 37º são simplesmente uma média diária. Contudo, até mesmo esta afirmação precisa de uma ressalva, como nos dizem os Princípios de medicina interna de Harrison:

Embora se tenha dito que a temperatura “normal” dos seres humanos é de 37º, com base em observações originais feitas por Wunderlich há mais de 120 anos, a temperatura oral média geral dos indivíduos sadios de 18 a 40 anos corresponde, na verdade, a 36,7º.

   A temperatura acima do normal é chamada de pirexia ou, mais comumente, febre, enquanto que a que fica abaixo do normal é conhecida como hipotermia. Os mecanismos reguladores que nos mantêm quase sempre na faixa normal são dirigidos por um sistema-mestre de controle, inserido nas profundezas do cérebro.

HIPOTÁLAMO E GLÂNDULA PITUITÁRIA (HIPÓFISE]

O hipotálamo, órgão minúsculo eu regula a temperatura, controla também as secreções que ditam muitas das funções principais funções metabólicas, regula os níveis de água, açúcar e gordura no corpo e orienta a liberação dos hormônios que inibem e intensificam nossas atividades. Harvey Cuching, o grande médico norte-americano do início do século XX, que estudou o comportamento do hipotálamo e da glândula pituitária [hipófise], assim descreveu nosso hipotálamo:

Aqui, neste ponto bem escondido, que quase se pode cobrir com a unha do polegar, encontra-se a própria mola mestra da vida primitiva – vegetativa, emocional e reprodutora – à qual, com maior ou menor sucesso, o homem superpôs um córtex de inibições.

   Nosso corpo produz calor através de uma multiplicidade de mecanismos metabólicos, mantidos pela alimentação e pelos líquidos ingeridos. O corpo dissipa aproximadamente 85% de seu calor pela pele, enquanto o restante sai pela respiração e pela excreção. Como a pele é o principal ponto de entrada e saída do calor, é nela que devemos buscar uma ligação com o hipotálamo. E há, de fato, duas vias importantes. Uma é o sistema nervoso periférico e a outra é a rica trama rendilhada subjacente formada por pequenos vasos sangüíneos, conhecidos como capilares.

HIPOTÁLAMO

   Os sinais provenientes dessas duas fontes integram-se na parte termorreguladora do hipotálamo. Se sua leitura diz que o corpo está frio demais, os capilares se contraem e, desse modo, conservam o calor; se ele está quente demais, os capilares se dilatam. Ao mesmo tempo, são enviadas mensagens hormonais às glândulas sudoríparas, ordenando-lhes que segreguem umidade – suor – através dos poros cutâneos.

Quando isso acontece, os sinais enviados ao cérebro sugerem vigorosamente que se proceda a mudanças comportamentais, como vestir ou despir a roupa, sempre mantendo, é claro, as “inibições” de Cushing. O fluxo sangüíneo que entra no hipotálamo proporciona uma verificação constante dos ajustes efetuados e, se necessário, indica ao hipotálamo as secreções necessárias para reajusta a temperatura. Mais uma vez, só nos resta admirar, deslumbrados, o funcionamento eficiente de um sistema desenvolvido ao longo de milhões de anos.” (...)

GINO SEGRÈ

Fonte: págs. 17-19, do livro “Uma questão de graus: o que a temperatura revela sobre o passado e o futuro de nossa espécie, nosso planeta e nosso universo; Gino }Segrè; tradução de Vera Ribeiro. – Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

GINO SEGRÈ é professor de física e astronomia na Universidade da Pensilvânia. Especialista de fama internacional na física teórica das partículas elementares de alta energia, Segrè recebeu prêmios da Fundação Nacional de Ciências (EUA), da Fundação Alfred P. Sloan, da Fundação S. Guggenheim e do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Vive na cidade de Filadélfia. Este é seu primeiro livro.

GLOSSÁRIO:

Hipotálamo. hipotálamo (do grego antigo ὑποθαλαμος, sob o tálamo) é uma região do encéfalo dos mamíferos (tamanho aproximado ao de uma amêndoa) localizado sob o tálamo, formando uma importante área na região central do diencéfalo, tendo como função regular determinados processos metabólicos e outras atividades autônomas.






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