segunda-feira, 15 de julho de 2019

ENZIMAS DIGESTIVAS - Medicina Ortomolecular


[MEDICINA ORTOMOLECULAR]

ENZIMAS DIGESTIVAS


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ENZIMAS DIGESTIVAS


Um dos pontos básicos para a absorção dos nutrientes contidos nos alimentos é a digestão. O organismo só consegue absorver substâncias simples que, na maior parte das vezes, são provenientes de elementos mais complexos submetidos à digestão. Assim, as proteínas devem ser particionadas em aminoácidos, os lipídios devem ser quebrados em ácidos graxos, glicerol e colesterol, enquanto o amido e os dissacarídeos devem ser levados ao estado de monosacarídeos (glicose, frutose, galactose) para serem aproveitados como alimentos.

   Os elementos capazes de promover a digestão dos alimentos e permitir sua absorção são as enzimas digestivas. Qualquer deficiência ou distúrbio na liberação dessas enzimas na luz do tubo digestivo pode provocar má absorção de nutrientes ou problemas digestivos. Investigações científicas demonstram que essas disfunções de produção e de eliminação de enzimas aparecem frequentemente em pacientes idosos ou naqueles submetidos ao estresse. A ingestão exagerada de alimentos e o uso de certos medicamentos também podem afetar tal função. (...)

   Além das enzimas, no processo de digestão dos alimentos estão envolvidas diversas outras substâncias, como o ácido clorídrico, os sais biliares, a mucina e o bicarbonato de sódio, além de vários hormônios, chamados de hormônios gastrintestinais: a gastrina, a colecistoquinina, a enterogastrona (GIP), a secretina, o peptídeo vasointestinal (VIP), a motilina, a bombesina, o polipeptídeo pancreático, etc.

   Na verdade, atualmente o intestino vem sendo considerado como a maior glândula do organismo, contando com inúmeros hormônios de secreção externa e interna. Alguns desses hormônios têm ação central, inclusive com influências sobre o comportamento. Pode-se, portanto, deduzir a importância capital das funções digestivas para a saúde como um todo. Da atividade normal dos órgãos digestivos dependem nossa imunidade e nosso psiquismo. (...)

   Resta-nos conhecer os diversos agentes terapêuticos enzimáticos e não-enzimáticos utilizados pela Medicina Ortomolecular com a finalidade de promover a digestão.

1. Betaína-HCL

Trata-se do CLORIDRATO DE BETAÍNA utilizado para aumentar os níveis de ácido clorídrico no estômago. A insuficiência de HCL, conhecida como hipocloridria, é bastante comum nos pacientes idosos e relaciona-se com má digestão, meteorismo e desconforto abdominal com estase digestiva. Os indivíduos com hipocloridria têm menos capacidade de digerir proteínas e dissolver o bolo alimentar para que tenha contato com as outras secreções digestivas. Pode haver má absorção de ferro e de cálcio. Mais recentemente, tem-se relacionado o déficit gástrico de ácido clorídrico com as chamadas alergias (intolerâncias) alimentares; 200 ou 300 mg de betaína-HCL após as refeições auxiliam na digestão desses pacientes carentes em HCL.

2. Enzimas proteolíticas

As mais usadas são a PAPAÍNA e a BROMELINA, ambas de origem vegetal. A primeira é proveniente do mamão, enquanto a segunda é oriunda do abacaxi;
   A papaína tem apenas ação digestiva sobre as proteínas, e deve ser usada em doses de 150 a 400 mg após as refeições.
   A bromelina tem ação mais ampla e uso geralmente ligado a reações inflamatórias. Trata-se, na verdade, de um excelente e potente agente antiinflamatório com propriedades benéficas sobre o aparelho cardiovascular. Reduz a agregação e a adesividade plaquetária, e pode diminuir sintomas de angina pectoris. Seu emprego nas dores articulares e pós-traumáticas requer doses de 300 a 1.000 mg ao dia.

3. Amilase

Promove a digestão de carboidratos complexos, e deve ser ministrada em doses de 200 mg após as refeições.

4. Lipase vegetal

Trata-se de uma enzima digestiva extraída de cultura de um fungo do gênero aspergyllus com ação sobre lipídios. As doses variam entre 200 e 400 mg após as refeições.

5. Protease vegetal

Igualmente extraída de cultura de aspergyllus, encontra aplicação restrita na clínica. Sua dose padrão é de 200 mg após as refeições.

6. Lactase

A deficiência dessa enzima é bastante comum na vida adulta e impossibilita a digestão de lactose. Alguns autores consideram tal. deficiência como normal, e a produção da enzima, própria da infância, ficaria prolongada em indivíduos que tomassem leite e derivados ao longo da vida. de fato, o que se observa é que o déficit de lactase impede a digestão normal de laticínios, tão comum nos hábitos alimentares ocidentais, produzindo diarréia, meteorismo e desconforto abdominal após a ingesta de leite e alguns de seus derivados menos processados. A solução é a tomada concomitante de 100 a 500 mg de lactase, dependendo da quantidade de leite ingerida.

7. Pancreatina

Trata-se de um complexo enzimático composto por proteases, polipeptidases, lípase e alfa-amilase, extraído de pâncreas de animais. Pelo seu amplo espectro digestivo, atua na maioria dos alimentos tanto de origem protéica, como de origem lipídica ou glicídica. Sua dose habitual varia de 200 a 500 mg após as refeições.

8. Pepsina

Essa enzima natural do estômago age sobre as proteínas. Pode estar deficiente nos pacientes com hipocloridria, uma vez que o ácido clorídrico é fundamental à transformação do pepsinogênio em pepsina.
As doses devem variar entre 20 e 200 mg após as refeições.


Fonte: págs. 293-298, “Medicina ortomolecular: um guia completo sobre os nutrientes e suas propriedades terapêuticas / Paulo Roberto Carlos de Carvalhho – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2002.





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