[MUNDOS PARALELOS – MICHIO KAKU]
“A COSMOLOGIA É O ESTUDO DO UNIVERSO!”
PREFÁCIO
“A COSMOLOGIA É O ESTUDO DO UNIVERSO!”
PREFÁCIO
A cosmologia é o estudo do universo como um todo, incluindo seu
nascimento e, talvez, seu destino final. Não é de surpreender que ela tenha
sofrido muitas transformações em sua lenta e dolorosa evolução, muitas vezes
ofuscada por dogmas religiosos e superstições.
A primeira revolução na
cosmologia foi prenunciada pela introdução do telescópio, no século XVII. Com a
ajuda desse instrumento, Galileu Galilei, baseando-se na obra dos grandes
astrônomos Nicolau Copérnico e Johannes Kepler, conseguiu revelar pela primeira
vez os esplendores dos céus para investigações científicas sérias. As
conquistas desse primeiro estágio da cosmologia culminou na obra de Isaac
Newton, que finalmente conseguiu definir as leis fundamentais que regem o
movimento dos corpos celestes. Em vez de magia e misticismo, as leis dos corpos
celestes passaram a ser vistas como sujeitas a forças que podiam ser computadas
e reproduzidas.
Uma segunda revolução
na cosmologia foi iniciada com a chegada dos grandes telescópios do século XX,
como o de Monte Wilson, com seu enorme espelho refletor de dois metros e meio. Na
década de 1920, o astrônomo Edwin Hubble usou este telescópio gigante para
subverter séculos de dogmas que diziam que o universo era estático e eterno, ao
demonstrar que as galáxias nos céus estão se afastando da Terra em velocidades
tremendas – isto é, o universo está se expandindo. Isto confirmava os
resultados da teoria da relatividade geral de Einstein, na qual a arquitetura
de espaço-tempo, em vez de ser plana e linear, é dinâmica e curva. Foi a
primeira explicação plausível para a origem do universo, a de que o universo
começou com uma explosão cataclísmica chamada “Big Bang”, que arremessou no
espaço estrelas e galáxias. Com o trabalho pioneiro de George Gamow e seus
colegas, sobre a teoria d Big Bang, e de Fred Hoyle, sobre a origem dos
elementos, surgia uma estrutura fornecendo as linhas gerais para o esboço da
evolução do universo.
Uma terceira revolução
está agora em marcha. Tem apenas uns cinco anos. Foi introduzida por uma
bateria de instrumentos novos, de alta tecnologia, como os satélites espaciais,
lasers, detectores de ondas gravitacionais, telescópios de raios X e
supercomputadores de alta velocidade. Temos hoje os dados mais confiáveis sobre
a natureza do universo, inclusive a sua idade, sua composição e talvez até
mesmo de seu futuro e eventualmente sua morte.
Os astrônomos agora
percebem que o universo está se expandindo de modo desenfreado, acelerando seus
limites, ficando cada vez mais frio com o tempo. Se isto continuar, estaremos
diante da probabilidade do “grande congelamento”, quando o universo é
mergulhado na escuridão e no frio e toda a vida inteligente acaba.
Este meu livro trata desta
terceira grande revolução. É diferente dos anteriores sobre física, Beyond
Einstein e Hiperespaço, que ajudaram a apresentar ao público os novos
conceitos de dimensões superiores e a teoria das supercordas. Em Mundos
paralelos, em vez de focalizar no espaço-tempo, concentrei-me nas
conquistas revolucionárias da cosmologia ocorrido nos últimos anos, com base em
novas evidências obtidas em laboratórios ao redor do mundo e dos pontos mais
distantes do espaço, e nos novos avanços da física teórica. É minha intenção
que possa ser lido e compreendido sem nenhuma introdução prévia à física ou à
cosmologia.
Na parte I deste livro,
enfoco o estudo do universo, resumindo os avanços feitos nos estágios iniciais
da cosmologia, culminando na teoria chamada “inflação”, que nos dá a formulação
mais avançada até hoje sobre a teoria do Big Bang. Na parte II, concentro-me
especificamente na teoria emergente do multiverso – um mundo feitos de
múltiplos universos, dos quais o nosso é apenas um – e discuto a possibilidade
de buracos de minhoca, dobras d espaço e tempo, e como as dimensões superiores
poderiam ligá-las. A teoria das supercordas e a teoria M nos deram o primeiro
grande passo além da teoria original de Einstein; elas dão mais indícios de que
o nosso universo pode ser um entre muitos. Finalmente, na parte III, discuto o
grande congelamento e que os cientistas agora vêem como o fim do nosso
universo. Apresento também uma discussão séria, embora especulativa, de como
uma civilização avançada, no futuro distante, poderia usar as leis da física
para daqui a trilhões de anos deixar o nosso universo e entrar em outro, mais
hospitaleiro, e começar o processo de renascimento, ou voltar no tempo, para
quando o universo era mais quente.
Com a enxurrada de
novas informações que recebemos atualmente, com novos instrumentos como os
satélites espaciais que podem vasculhar os céus, com novos detectores de ondas
gravitacionais e com a construção de novos aceleradores de partículas do
tamanho de cidades, quase terminados, os físicos acreditam que estamos entrando
no que talvez seja a era de ouro da cosmologia. Em resumo, é fantástico ser um
físico e um viajante nesta busca para compreender nossas origens e destino do universo.
MICHIO KAKU
Fonte:
págs. 13-14, do livro “Mundos paralelos: uma jornada através da criação, das
dimensões superiores e do futuro do como / Michio Kaku; tradução de Talita M.
Rodrigues. – Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
GLOSSÁRIO:
Teoria das cordas. A teoria baseada em
minúsculas cordas vibratórias, de tal forma que cada modo de vibração
corresponda a uma partícula subatômica. É a única teoria que pode combinar a
gravitação com a teoria quântica, tornando-a a principal candidata à teoria de
tudo. Só é coerente matematicamente em dez dimensões. A sua versão mais recente
chamas-e teoria M, que é definida em onze dimensões.
Teoria M. A versão mais avançada da teoria das
cordas. A teoria M existe no hiperespaço de onze dimensões, onde duas-branas e
cinco-branas podem existir. Há cinco maneiras segundo às quais a teoria M pode
ser reduzida a dez dimensões, dando-nos portanto as cinco teorias de supercordas
conhecidas, revelando agora que são as mesmas. As equações completas que regem
a teoria M são totalmente desconhecidas.
* * * * *
* * *
*


Nenhum comentário:
Postar um comentário