segunda-feira, 15 de julho de 2019

“A COSMOLOGIA É O ESTUDO DO UNIVERSO!” - Michio Kaku


[MUNDOS PARALELOS – MICHIO KAKU]

“A COSMOLOGIA É O ESTUDO DO UNIVERSO!”

PREFÁCIO
 


“A COSMOLOGIA É O ESTUDO DO UNIVERSO!”


PREFÁCIO


A cosmologia é o estudo do universo como um todo, incluindo seu nascimento e, talvez, seu destino final. Não é de surpreender que ela tenha sofrido muitas transformações em sua lenta e dolorosa evolução, muitas vezes ofuscada por dogmas religiosos e superstições.

   A primeira revolução na cosmologia foi prenunciada pela introdução do telescópio, no século XVII. Com a ajuda desse instrumento, Galileu Galilei, baseando-se na obra dos grandes astrônomos Nicolau Copérnico e Johannes Kepler, conseguiu revelar pela primeira vez os esplendores dos céus para investigações científicas sérias. As conquistas desse primeiro estágio da cosmologia culminou na obra de Isaac Newton, que finalmente conseguiu definir as leis fundamentais que regem o movimento dos corpos celestes. Em vez de magia e misticismo, as leis dos corpos celestes passaram a ser vistas como sujeitas a forças que podiam ser computadas e reproduzidas.

   Uma segunda revolução na cosmologia foi iniciada com a chegada dos grandes telescópios do século XX, como o de Monte Wilson, com seu enorme espelho refletor de dois metros e meio. Na década de 1920, o astrônomo Edwin Hubble usou este telescópio gigante para subverter séculos de dogmas que diziam que o universo era estático e eterno, ao demonstrar que as galáxias nos céus estão se afastando da Terra em velocidades tremendas – isto é, o universo está se expandindo. Isto confirmava os resultados da teoria da relatividade geral de Einstein, na qual a arquitetura de espaço-tempo, em vez de ser plana e linear, é dinâmica e curva. Foi a primeira explicação plausível para a origem do universo, a de que o universo começou com uma explosão cataclísmica chamada “Big Bang”, que arremessou no espaço estrelas e galáxias. Com o trabalho pioneiro de George Gamow e seus colegas, sobre a teoria d Big Bang, e de Fred Hoyle, sobre a origem dos elementos, surgia uma estrutura fornecendo as linhas gerais para o esboço da evolução do universo.

   Uma terceira revolução está agora em marcha. Tem apenas uns cinco anos. Foi introduzida por uma bateria de instrumentos novos, de alta tecnologia, como os satélites espaciais, lasers, detectores de ondas gravitacionais, telescópios de raios X e supercomputadores de alta velocidade. Temos hoje os dados mais confiáveis sobre a natureza do universo, inclusive a sua idade, sua composição e talvez até mesmo de seu futuro e eventualmente sua morte.

   Os astrônomos agora percebem que o universo está se expandindo de modo desenfreado, acelerando seus limites, ficando cada vez mais frio com o tempo. Se isto continuar, estaremos diante da probabilidade do “grande congelamento”, quando o universo é mergulhado na escuridão e no frio e toda a vida inteligente acaba.

   Este meu livro trata desta terceira grande revolução. É diferente dos anteriores sobre física, Beyond Einstein e Hiperespaço, que ajudaram a apresentar ao público os novos conceitos de dimensões superiores e a teoria das supercordas. Em Mundos paralelos, em vez de focalizar no espaço-tempo, concentrei-me nas conquistas revolucionárias da cosmologia ocorrido nos últimos anos, com base em novas evidências obtidas em laboratórios ao redor do mundo e dos pontos mais distantes do espaço, e nos novos avanços da física teórica. É minha intenção que possa ser lido e compreendido sem nenhuma introdução prévia à física ou à cosmologia.

   Na parte I deste livro, enfoco o estudo do universo, resumindo os avanços feitos nos estágios iniciais da cosmologia, culminando na teoria chamada “inflação”, que nos dá a formulação mais avançada até hoje sobre a teoria do Big Bang. Na parte II, concentro-me especificamente na teoria emergente do multiverso – um mundo feitos de múltiplos universos, dos quais o nosso é apenas um – e discuto a possibilidade de buracos de minhoca, dobras d espaço e tempo, e como as dimensões superiores poderiam ligá-las. A teoria das supercordas e a teoria M nos deram o primeiro grande passo além da teoria original de Einstein; elas dão mais indícios de que o nosso universo pode ser um entre muitos. Finalmente, na parte III, discuto o grande congelamento e que os cientistas agora vêem como o fim do nosso universo. Apresento também uma discussão séria, embora especulativa, de como uma civilização avançada, no futuro distante, poderia usar as leis da física para daqui a trilhões de anos deixar o nosso universo e entrar em outro, mais hospitaleiro, e começar o processo de renascimento, ou voltar no tempo, para quando o universo era mais quente.

   Com a enxurrada de novas informações que recebemos atualmente, com novos instrumentos como os satélites espaciais que podem vasculhar os céus, com novos detectores de ondas gravitacionais e com a construção de novos aceleradores de partículas do tamanho de cidades, quase terminados, os físicos acreditam que estamos entrando no que talvez seja a era de ouro da cosmologia. Em resumo, é fantástico ser um físico e um viajante nesta busca para compreender nossas origens e  destino do universo.

MICHIO KAKU

Fonte: págs. 13-14, do livro “Mundos paralelos: uma jornada através da criação, das dimensões superiores e do futuro do como / Michio Kaku; tradução de Talita M. Rodrigues. – Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

GLOSSÁRIO:

Teoria das cordas. A teoria baseada em minúsculas cordas vibratórias, de tal forma que cada modo de vibração corresponda a uma partícula subatômica. É a única teoria que pode combinar a gravitação com a teoria quântica, tornando-a a principal candidata à teoria de tudo. Só é coerente matematicamente em dez dimensões. A sua versão mais recente chamas-e teoria M, que é definida em onze dimensões.

Teoria M. A versão mais avançada da teoria das cordas. A teoria M existe no hiperespaço de onze dimensões, onde duas-branas e cinco-branas podem existir. Há cinco maneiras segundo às quais a teoria M pode ser reduzida a dez dimensões, dando-nos portanto as cinco teorias de supercordas conhecidas, revelando agora que são as mesmas. As equações completas que regem a teoria M são totalmente desconhecidas.





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