SAÚDE –
MEDICINA PREVENTIVA:
“A
CONSPIRAÇÃO”
Marilyn
Ferguson,
Depois do não
final vem um sim
E é desse sim
que depende o futuro do mundo.
–
WALLACE STEVENS
Uma rede
poderosa, embora sem liderança, está trabalhando no sentido de promover uma
mudança radical nos Estados Unidos. Seus membros romperam com alguns elementos
chaves do pensamento ocidental, podendo até mesmo ter rompido a continuidade da
História.
Essa rede é a Conspiração Aquariana: uma
conspiração sem doutrina política, sem manifesto, com conspiradores que buscam
o poder apenas para difundi-la, e cujas estratégias são pragmáticas, até
científicas, mas cujas perspectivas parecem tão místicas que eles hesitam em
discuti-las. Ativistas fazendo diferentes tipos de indagações, desafiando o
sistema no seu cerne.
Mais ampla do que uma reforma, mais profunda
do que uma revolução, essa conspiração benigna a favor de uma nova ordem,
deflagrou o mais rápido realinhamento cultural da História. O grande
sobressalto, a mudança irrevogável que nos está empolgando, não é um novo
sistema religioso, político ou filosófico. É uma nova mentalidade – a
ascendência de uma surpreendente visão do mundo que reúne a vanguarda da
ciência e visões dos mais antigos pensamentos registrados.
Há Conspiradores Aquarianos de todos os
níveis de renda e educação, dos mais humildes aos mais poderosos. São
professores e auxiliares de escritório, cientistas famosos, funcionários do
governo e legisladores, artistas e milionários, motoristas de táxi e
celebridades, expoentes da medicina, da educação, do direito e da psicologia.
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Alguns são
ostensivos em sua defesa, e seus nomes podem ser familiares. Outros se mantêm
discretos quanto a seu envolvimento, acreditando que podem ser mais eficazes se
não forem identificados com idéias que, com demasiada freqüência, têm sido mal
interpretados.
Há legiões de conspiradores. Estão nas
companhias, universidades e hospitais, nos corpos docentes de escolas públicas,
nas fábricas e consultórios médicos, em órgãos estaduais e federais, nos
conselhos municipais e no gabinete da Casa Branca, nas assembléias estaduais,
em organizações voluntárias e virtualmente em todas as arenas das decisões
políticas do país.
Onde quer que se encontrem, qualquer que
seja seu grau de sofisticação, os conspiradores se acham ligados, afinados por
suas descobertas e convulsões interiores. Qualquer pessoa pode superar velhos
limites, transpor a inércia e o medo, atingir níveis de realização que antes
pareceriam impossíveis... atingir uma plenitude de opção, de liberdade, de
aproximação humana. Qualquer um pode se tornar mais produtivo, confiante,
confortável na insegurança. Problemas podem ser encarados como desafios, como
oportunidades de renovação, mais do que como motivos de tensão. As habituais
atitudes defensivas e preocupações podem cair por terra. Tudo pode ser diferente.
No início, decerto, a maioria não se
dispunha a modificar a sociedade. Sob esse aspecto, a conspiração é de um tipo
diferente. Mas logo aquelas pessoas verificavam que suas vidas se haviam transformado em revoluções. Assim que uma
modificação pessoal começava a se manifestar seriamente, os conspiradores se
davam conta de que estavam reavaliando seu modo de pensar sobre todas as
coisas, examinando velhas suposições, revendo seu trabalho e seus
relacionamentos, sua saúde, poder político e opiniões “abalizadas”, metas e
valores.
Os conspiradores se fundiam em pequenos
grupos, em todas as cidades e instituições. Formaram o que alguém denominou de
“não-organizações nacionais”. Alguns sabem perfeitamente que o alcance do
movimento é nacional ou até mesmo internacional, e se mostram dispostos a se
ligar a outros. São, simultaneamente, antenas e transmissores, ouvindo e
comunicando. Ampliam as atividades da conspiração através de suas ligações e
panfletagem, articulando as novas opções através de livros, de aulas, de
currículos escolares, até mesmo de audiências no Congresso e dos meios de
comunicação de massa.
Outros centralizaram as atividades em suas
especialidades, formando grupos nas organizações e instituições existentes,
expondo às novas idéias aqueles que com eles trabalham, muitas vezes recorrendo
a redes maiores em busca do apoio, feedback
e informações.
Há também milhões de outros que nunca
pensaram em si mesmos como participantes de uma conspiração, mas que sentem que
suas experiências e lutas, fazem parte de algo maior, de uma transformação
social mais ampla que se torna cada vez mais visível, contanto que se saiba
po0r onde se deve olhar.
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De modo muito
característico, não se apercebem das redes nacionais e de sua influência nas
mais altas camadas; talvez tenham encontrado apenas um ou dois espíritos afins
em seu ambiente de trabalho, nas vizinhanças ou em seu círculo de amigos. Ainda
assim, mesmo em pequenos grupos – de dois a três, de oito e dez –, eles estão
produzindo seu impacto.
Procura-se em vão por uma afiliação em suas
formas tradicionais: partidos políticos, grupos ideológicos, clubes ou
fraternidades. Em lugar de tudo isso, o que se encontra são tênues redes e
pequenos agrupamentos. Há dezenas de milhares de ponto de acesso à conspiração.
Onde quer que haja pessoas compartilhando experiência, mais cedo ou mais tarde
elas se ligam umas às outras e, por fim, formam círculos maiores. Seu número
cresce a cada dia.
Ainda que esse movimento possa parecer
romântico e ousado, veremos que ele evoluiu de uma seqüência de eventos
históricos que dificilmente poderiam ter conduzido a uma outra coisa... e
expressa profundos princípios de natureza que só agora estão sendo descritos e
confirmados pela ciência. Em sua avaliação daquilo que é possível, é um
movimento rigorosamente racional.
“Encontramo-nos em um momento muito
empolgante da história, talvez um momento decisivo”, disse Ilya Prigogine, que
em 1977 recebeu o Prêmio Nobel por uma teoria que descreve transformações, não
apenas nas ciências físicas mas também na sociedade – o papel das tensões e das
“perturbações” que podem nos impelir para uma ordem nova e mais elevada.
A ciência, disse ele, está revelando a
realidade de uma “visão cultural profunda”. Poetas e filósofos estão certos em
suas insinuações de um universo criativo e aberto. Transformação, inovação,
evolução – são as respostas naturais às crises.
Vem se tornando cada vez mais claro que as
crises de nossos tempos são o impulso de que necessita a revolução ora em
marcha. E, uma vez tenhamos compreendido os poderes de transformação da
natureza, veremos que ela é uma poderosa aliada e não uma força a ser temida ou
subjudada. Nossa patologia é nossa
oportunidade.
Em todas as épocas, afirmou o cientista-filósofo
Pierre Teilhard de Chardin, o homem tem afirmado que se encontra num momento
decisivo da história. “E até certo ponto, à medida que avança em uma espiral
ascendente, ele não esteve errado. Há momentos, porém, em que essa impressão de
transformação se torna acentuada e é, assim, particularmente justificada.”
Teilhard profetizou o fenômeno central de que
trata este livro: uma conspiração de homens e mulheres cuja nova perspectiva
desencadearia uma epidemia crítica de mudança.
Através da história, virtualmente todas as
tentativas para remodelar a sociedade começaram pela alteração de sua forma
externa e de sua organização. Presumia-se que uma estrutura social racional
poderia produzir harmonia por meio de um sistema de recompensa, punições e
manipulação do poder.
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No entanto, as
tentativas periódicas para se tornar uma sociedade justa através de
experiências políticas parecem ter sido obtidas pela oposição humana... e agora
o que fazer?
A Conspiração Aquariana representa O Que
Fazer. Temos que mergulhar no desconhecido: o conhecido nos tem falhado por
completo.
Adotando uma visão mais ampla da história e
uma medida mais profunda da natureza, a Conspiração Aquariana é um tipo
diferente de revolução, com revolucionários também diferentes. Visa a uma
modificação na consciência de um número crítico de indivíduos, suficiente para
produzir uma renovação da sociedade.
“Não podemos aguardar que o mundo mude”,
observou a filósofa Beatrice Bruteau. “Não podemos aguardar que os tempos se
modifiquem e nós nos modifiquemos junto, por uma revolução que chegue e nos
leve em sua marcha. Nós mesmos somos
o futuro. Nós somos a revolução.”
MARILYN
FERGUSON é editora do Brain/Mind Bulletin, o periódico mais lido nas áreas de
medicina humanística, saúde, psiquiatria, psicologia, memória, aprendizado,
criatividade, pesquisa do cérebro, regeneração biológica, dor, processos
físicos da consciência, sonhos, meditação e assuntos correlatos.
No
início da década de 1970, Marilyn escreveu The
Brain Revolution, que abrangia informações surpreendentes sobre a
capacidade do cérebro e da mente. “A Conspiração Aquariana”, publicado
originalmente em 1980, tornou-se um Best seller em todo o mundo e ficou
conhecido como A Bíblia da Nova Era. “
Este livro não é só seu”, afirmou um colega escritor depois de ler as provas, “mas de todos nós”. Talvez seja esta a razão que levou A Conspiração a ser mais um fenômeno que um livro.
Este livro não é só seu”, afirmou um colega escritor depois de ler as provas, “mas de todos nós”. Talvez seja esta a razão que levou A Conspiração a ser mais um fenômeno que um livro.
“Fui
mais uma parteira que uma autora.”
Fonte: págs. 23-26, do livro “A Conspiração Aquariana”
Transformações humanas e sociais no final do século XX / Marilyn Ferguson;
tradução de Carlos Evaristo M. costa; prefácio de Max lerner – 14ª edição – Rio
de Janeiro: Nova Era, 2006.

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