sexta-feira, 31 de maio de 2019

“A MUDANÇA DE PARADIGMAS” - por Marilyn Ferguson,


[A Conspiração Aquariana]

“A MUDANÇA DE PARADIGMAS”

por Marilyn Ferguson,



A MUDANÇA DE PARADIGMAS

por Marilyn Ferguson,


Novas perspectivas geral novas épocas históricas. A humanidade tem passado por inúmeras e dramáticas revoluções de conhecimento – grandes saltos, súbita libertação de antigos limites. Descobrimos o uso do fogo e da roda, da linguagem e da escrita. Verificamos que a Terra apenas parece plana; que o Sola penas parece girar em volta da Terra; que a matéria apenas parece sólida. Aprendemos a nos comunicar, a voar, a explorar.
   Cada uma dessas descobertas é descrita de modo devido como uma “mudança de paradigma”, expressão introduzida por Thomas Kuhn, historiador e filósofo, em seu livro publicado em 1962, verdadeiro marco divisório, The Structure of Scientific Revolutions (A Estrutura das Revoluções científicas). As idéias de Kuhn são enormemente úteis, porque nos ajudam a entender não apenas como emerge uma nova perspectiva, mas também como e por que a tais opiniões novas sempre se opõe certa resistência durante algum tempo.
   Um paradigma é uma estrutura de pensamento (em grego, “paradigma” tem o significado de “modelo”). Um paradigma é um esquema para a compreensão e a explicação de certos aspectos da realidade. Ainda que Kuhn se tenha referido à ciência, a expressão foi amplamente adotada. Fala-se de paradigmas educacionais, paradigmas para o planejamento urbano, mudança de paradigmas na medicina etc.
   Uma mudança de paradigma é uma maneira clara e nova de pensar sobre velhos problemas. Por exemplo, durante mais de dois séculos, destacados pensadores foram de opinião que o paradigma de Isaac Newton – sua descrição das forças mecânicas previsíveis – finalmente explicaria todas as coisas em termos de trajetórias, gravidade, força. Ele levaria aos segredos finais de um “universo cronométrico”.


   No entanto, à medida que cientistas trabalhavam à procura de esquivas respostas supremas, algumas informações daqui e dali se recusavam a se encaixar no esquema de Newton. Isto é típico de qualquer paradigma. Eventualmente, muitas observações intrigantes acumulam-se fora do antigo modelo explicativo, forçando-o a modificar-se. É normal que nesses pontos críticos surja alguém como uma grande idéia herética. Uma nova e poderosa percepção explica as aparentes contradições. É introduzido um novo princípio... uma nova perspectiva. Forçando uma teoria mais ampla, a crise não é destrutiva, e sim instrutiva.
   A Teoria Especial da Relatividade de Einstein constituiu-se no novo paradigma que sucedeu à física de Newton. Resolveu inúmeros casos, anomalias e enigmas que não se encaixavam na velha física. E havia também uma alternativa surpreendente: as antigas regras mecânicas não eram universais; não eram válidas ao nível de galáxias e elétrons. Nosso entendimento da natureza passava de um padrão cronométrico para um padrão de incerteza, do absoluto para o relativo.
   Um novo paradigma envolve um princípio que sempre existiu mas do qual não nos apercebíamos. Aceita o que existia como verdade parcial, como um aspecto de Como as Coisas Ocorrem, admitindo que ocorram também de forma diferente. Por sua perspectiva mais ampla, transforma o conhecimento tradicional e as novas e persistentes observações, conciliando as aparentes contradições.
   O novo paradigma é mais produtivo que o antigo. Prevê com mais precisão. E, além do mais, escancara portas e janelas a novas explorações.
   Tendo em vista o maior poder e o maior alcance da nova idéia, poderíamos esperar que rapidamente triunfasse, mas isso quase nunca acontece. O problema é que não se pode aderir à nova idéia sem se descartar da antiga. Não se pode ficar oscilando entre as duas, fazendo-se a modificação pouco a pouco. “Como numa troca de gestalt”, observa Kuhn, “a mudança deve ocorrer de uma só vez”. O novo padrão não é “racionalizado”, e sim percebido repentinamente.
   Os novos paradigmas são quase sempre recebidos com frieza, até mesmo com zombaria e hostilidade. Suas descobertas são atacadas como heresia. (Como exemplos históricos, basta lembrarmos Copérnico, Galileu, Pasteur, Mesmer.) De início, a idéia pode parecer bizarra, até mesmo vaga, porque seu descobridor deu um salto intuitivo e ainda não dispõe de todos os dados.
   A nova perspectiva exige uma tal mudança que reputados cientistas raramente são convertidos. Como ressaltou Kuhn, aqueles que trabalharam de modo frutífero com as velhas idéias estão emocionalmente e por hábito ligados a elas. Normalmente levam para o túmulo sua fé inabalável. Mesmo quando confrontados com numerosas provas, aferram-se teimosamente ao que está errado mas lhes é familiar.


   O novo paradigma, no entanto, ganha ascendência. Uma nova geração reconhece seu valor. Quando considerável quantidade de pensadores tiver aceitado a nova idéia, produziu-se uma mudança coletiva de paradigma. Um número suficiente de pessoas foi atraído pela nova perspectiva, ou se desenvolveu com ela, formando um consenso. Após algum tempo, também esse paradigma é abalado por contradições; surge uma outra abertura e o processo se repete. É assim que a ciência gera de modo ininterrupto novas idéias e amplia seus conhecimentos.
   O progresso real na compreensão da natureza raramente é quantitativo. Todos os avanços importantes são intuições repentinas, novos princípios, novas maneiras de ver. Entretanto, não temos reconhecido plenamente esse processo de saltos para a frente, em parte porque os compêndios tendem a abafar revoluções – sejam culturais, sejam científicas. Descrevem os avanços como eventos lógicos em sua época, não como absolutamente revolucionários.
   Em retrospecto, como sobre o salto intuitivo foi lançada a ponte da explicação dos anos seguintes, as grandes idéias parecem razoáveis, até mesmo inevitáveis. Nós as aceitamos como verdades absolutas – embora de início tenham parecido absurdas.
   Tratando de um fenômeno amplamente reconhecível, Kuhn nos conscientizou sobre os processos de revolução e resistência. Agora que estamos começando a compreender a dinâmica das intuições revolucionárias, podemos aprender a estimular nossas próprias mudanças saudáveis e cooperar para facilitar a mudança coletiva de mentalidade, sem esperar pela febre de uma crise. Podemos fazê-lo colocando questões de uma nova forma – desafiando nossos velhos pressupostos. Esses pressupostos são o ar que respiramos, os móveis de nossa casa. Fazem parte de nossa cultura. Somos quase cegos a eles, que devem dar lugar a perspectivas mais fundamentais se pretendermos descobrir oi que não funciona – e por quê. Do mesmo modo que os koans que os mestres do Zen propõem a seus discípulos, os problemas em sua maior parte não podem ser resolvidos na forma em que são colocados. Eles devem ser reformulados e colocados em contexto mais amplo. Os pressupostos que não encontrem apoio devem ser descartados.
   Procuramos, de modo irracional, resolver os problemas com o instrumental existente, em seu contexto antigo, em vez de vermos que a escalada da crise é um sintoma de nossa postura essencialmente errada.
   Perguntamos, por exemplo, como poderemos obter recursos adequados para a saúde pública, em vista dos custos cada vez mais altos do tratamento médico. A pergunta equaciona, de forma automática, saúde com hospitais, médicos, remédios e tecnologia. Porém, o que devíamos perguntar é, em primeiro lugar, como as pessoas adoecem. Qual a natureza do ser saudável? Ou discutimos sobre quais os melhores métodos de ensino para os currículos das escolas públicas, embora raramente se discuta se eles são, de fato, adequados. E mais raramente ainda perguntamos: qual a natureza do aprendizado?


   As crises nos mostram como as formas como as instituições têm contrariado a natureza. Relacionamos a boa vida com o consumo material, desumanizamos o trabalho e o tornamos desnecessariamente competitivo, somos impacientes com relação às nossa capacidade de aprender e de ensinar. Cuidados médicos muito dispendiosos pouco têm avançado contra moléstias catastróficas e crônicas, ao mesmo tempo que se vão tornando cada vez mais impessoais e incômodos. Nosso governo é complexo e insensível o sistema de proteção social está se rompendo em todos os pontos de tensão.
   As possibilidades de salvação neste momento de crise não são a sorte, a coincidência ou a crença naquilo que se deseja verdadeiro. Armados com uma compreensão mais elaborada de como a mudança se produz, sabemos que as próprias forças que nos levaram à beira de uma catástrofe planetária trazem em si as sementes da renovação. O presente desequilíbrio – pessoal e social – prenuncia um novo tipo de sociedade. Funções, relações, instituições e velhas idéias estão sendo reavaliadas, reformuladas, remodeladas.
   Pela primeira vez na História, a humanidade se defronta com o painel de controle da mudança – uma compreensão de como ocorre a transformação. Estamos vivendo na mudança da mudança, na época em que podemos nos alinhar intencionalmente com a natureza para uma rápida remodelação de nós mesmos e de nossas instituições em crise.
   O paradigma da Conspiração Aquariana vê a humanidade embutida na natureza. Promove a autonomia do indivíduo em uma sociedade descentralizada. Encara-nos como os administradores de todos os recursos, internos e externos. Declara que não somos vítimas,nem peões, , e nem estamos limitados por condições ou condicionamentos. Herdeiros de riquezas evolucionárias, somos capazes de imaginar, inventar e fazer experiências que até agora apenas vislumbramos.
   A natureza humana não é boa nem má, mas aberta a uma transformação e transcendência contínuas. Só precisa descobrir a si mesma. A nova perspectiva respeita a ecologia de todas as coisas: nascimento, morte, aprendizado, saúde, família, trabalho, ciência, espiritualidade, as artes, a comunidade relacionamento, política.
   Os Conspiradores Aquarianos são atraídos uns para os outros por suas descobertas paralelas, por mudanças de paradigmas que os convencem de que estão levando vidas desnecessariamente circunscritas.


Fonte Págs. 26-29, “A conspiração aquariana” – Marilyn Ferguson; tradução de Carlos Evaristo M. Costa; prefácio de Max lerner. – 14ª Ed. – Rio de Janeiro, Nova Era, 2006.






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Um comentário:

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