[A Conspiração Aquariana]
“A MUDANÇA DE PARADIGMAS”
por Marilyn Ferguson,
A MUDANÇA DE PARADIGMAS
por Marilyn Ferguson,
Novas perspectivas geral novas épocas históricas. A humanidade
tem passado por inúmeras e dramáticas revoluções de conhecimento – grandes
saltos, súbita libertação de antigos limites. Descobrimos o uso do fogo e da
roda, da linguagem e da escrita. Verificamos que a Terra apenas parece
plana; que o Sola penas parece girar em volta da Terra; que
a matéria apenas parece sólida. Aprendemos a nos comunicar, a voar, a explorar.
Cada uma dessas
descobertas é descrita de modo devido como uma “mudança de paradigma”,
expressão introduzida por Thomas Kuhn,
historiador
e filósofo, em seu livro publicado em 1962, verdadeiro marco divisório,
The
Structure of Scientific Revolutions (A Estrutura das Revoluções
científicas). As idéias de Kuhn são enormemente úteis, porque nos ajudam a
entender não apenas como emerge uma nova perspectiva, mas também como e por que
a tais opiniões novas sempre se opõe certa resistência durante algum tempo.
Um paradigma é uma
estrutura de pensamento (em grego, “paradigma” tem o significado de “modelo”).
Um paradigma é um esquema para a compreensão e a explicação de certos aspectos
da realidade. Ainda que Kuhn se tenha referido à ciência, a expressão foi
amplamente adotada. Fala-se de paradigmas educacionais, paradigmas para o
planejamento urbano, mudança de paradigmas na medicina etc.
Uma mudança de
paradigma é uma maneira clara e nova de pensar sobre velhos problemas. Por
exemplo, durante mais de dois séculos, destacados pensadores foram de opinião
que o paradigma de Isaac Newton – sua descrição das forças mecânicas
previsíveis – finalmente explicaria todas as coisas em termos de trajetórias,
gravidade, força. Ele levaria aos segredos finais de um “universo
cronométrico”.
No entanto, à medida
que cientistas trabalhavam à procura de esquivas respostas supremas, algumas
informações daqui e dali se recusavam a se encaixar no esquema de Newton. Isto
é típico de qualquer paradigma. Eventualmente, muitas observações intrigantes
acumulam-se fora do antigo modelo explicativo, forçando-o a modificar-se. É
normal que nesses pontos críticos surja alguém como uma grande idéia herética.
Uma nova e poderosa percepção explica as aparentes contradições. É introduzido
um novo princípio... uma nova perspectiva. Forçando uma teoria mais ampla, a
crise não é destrutiva, e sim instrutiva.
A Teoria Especial da
Relatividade de Einstein constituiu-se no novo paradigma que sucedeu à física
de Newton. Resolveu inúmeros casos, anomalias e enigmas que não se encaixavam
na velha física. E havia também uma alternativa surpreendente: as antigas
regras mecânicas não eram universais; não eram válidas ao nível de galáxias e
elétrons. Nosso entendimento da natureza passava de um padrão cronométrico para
um padrão de incerteza, do absoluto para o relativo.
Um novo paradigma
envolve um princípio que sempre existiu mas do qual não nos apercebíamos.
Aceita o que existia como verdade parcial, como um aspecto de Como as Coisas
Ocorrem, admitindo que ocorram também de forma diferente. Por sua perspectiva
mais ampla, transforma o conhecimento tradicional e as novas e persistentes
observações, conciliando as aparentes contradições.
O novo paradigma é mais
produtivo que o antigo. Prevê com mais precisão. E, além do mais, escancara
portas e janelas a novas explorações.
Tendo em vista o maior
poder e o maior alcance da nova idéia, poderíamos esperar que rapidamente
triunfasse, mas isso quase nunca acontece. O problema é que não se pode aderir
à nova idéia sem se descartar da antiga. Não se pode ficar oscilando entre as
duas, fazendo-se a modificação pouco a pouco. “Como numa troca de gestalt”,
observa Kuhn, “a mudança deve ocorrer de uma só vez”. O novo padrão não é
“racionalizado”, e sim percebido repentinamente.
Os novos paradigmas são
quase sempre recebidos com frieza, até mesmo com zombaria e hostilidade. Suas
descobertas são atacadas como heresia. (Como exemplos históricos, basta
lembrarmos Copérnico, Galileu, Pasteur, Mesmer.) De início, a idéia pode parecer
bizarra, até mesmo vaga, porque seu descobridor deu um salto intuitivo e ainda
não dispõe de todos os dados.
A nova perspectiva
exige uma tal mudança que reputados cientistas raramente são convertidos. Como
ressaltou Kuhn, aqueles que trabalharam de modo frutífero com as velhas idéias
estão emocionalmente e por hábito ligados a elas. Normalmente levam para o
túmulo sua fé inabalável. Mesmo quando confrontados com numerosas provas,
aferram-se teimosamente ao que está errado mas lhes é familiar.
O novo paradigma, no
entanto, ganha ascendência. Uma nova geração reconhece seu valor. Quando
considerável quantidade de pensadores tiver aceitado a nova idéia, produziu-se
uma mudança coletiva de paradigma. Um número suficiente de pessoas foi atraído
pela nova perspectiva, ou se desenvolveu com ela, formando um consenso. Após
algum tempo, também esse paradigma é abalado por contradições; surge uma outra
abertura e o processo se repete. É assim que a ciência gera de modo
ininterrupto novas idéias e amplia seus conhecimentos.
O progresso real na
compreensão da natureza raramente é quantitativo. Todos os avanços importantes
são intuições repentinas, novos princípios, novas maneiras de ver. Entretanto,
não temos reconhecido plenamente esse processo de saltos para a frente, em
parte porque os compêndios tendem a abafar revoluções – sejam culturais, sejam
científicas. Descrevem os avanços como eventos lógicos em sua época, não como
absolutamente revolucionários.
Em retrospecto, como
sobre o salto intuitivo foi lançada a ponte da explicação dos anos seguintes,
as grandes idéias parecem razoáveis, até mesmo inevitáveis. Nós as aceitamos
como verdades absolutas – embora de início tenham parecido absurdas.
Tratando de um fenômeno
amplamente reconhecível, Kuhn nos conscientizou sobre os processos de revolução
e resistência. Agora que estamos começando a compreender a dinâmica das
intuições revolucionárias, podemos aprender a estimular nossas próprias
mudanças saudáveis e cooperar para facilitar a mudança coletiva de mentalidade,
sem esperar pela febre de uma crise. Podemos fazê-lo colocando questões de uma
nova forma – desafiando nossos velhos pressupostos. Esses pressupostos são o ar
que respiramos, os móveis de nossa casa. Fazem parte de nossa cultura. Somos
quase cegos a eles, que devem dar lugar a perspectivas mais fundamentais se
pretendermos descobrir oi que não funciona – e por quê. Do mesmo modo que os koans
que os mestres do Zen propõem a seus discípulos, os problemas em sua maior
parte não podem ser resolvidos na forma em que são colocados. Eles devem ser
reformulados e colocados em contexto mais amplo. Os pressupostos que não
encontrem apoio devem ser descartados.
Procuramos, de modo
irracional, resolver os problemas com o instrumental existente, em seu contexto
antigo, em vez de vermos que a escalada da crise é um sintoma de nossa postura
essencialmente errada.
Perguntamos, por
exemplo, como poderemos obter recursos adequados para a saúde pública, em vista
dos custos cada vez mais altos do tratamento médico. A pergunta equaciona, de
forma automática, saúde com hospitais, médicos, remédios e tecnologia. Porém, o
que devíamos perguntar é, em primeiro lugar, como as pessoas adoecem. Qual a
natureza do ser saudável? Ou discutimos sobre quais os melhores métodos de
ensino para os currículos das escolas públicas, embora raramente se discuta se
eles são, de fato, adequados. E mais raramente ainda perguntamos: qual a
natureza do aprendizado?
As crises nos mostram
como as formas como as instituições têm contrariado a natureza. Relacionamos a
boa vida com o consumo material, desumanizamos o trabalho e o tornamos
desnecessariamente competitivo, somos impacientes com relação às nossa
capacidade de aprender e de ensinar. Cuidados médicos muito dispendiosos pouco
têm avançado contra moléstias catastróficas e crônicas, ao mesmo tempo que se
vão tornando cada vez mais impessoais e incômodos. Nosso governo é complexo e
insensível o sistema de proteção social está se rompendo em todos os pontos de
tensão.
As possibilidades de
salvação neste momento de crise não são a sorte, a coincidência ou a crença
naquilo que se deseja verdadeiro. Armados com uma compreensão mais elaborada de
como a mudança se produz, sabemos que as próprias forças que nos levaram à
beira de uma catástrofe planetária trazem em si as sementes da renovação. O presente
desequilíbrio – pessoal e social – prenuncia um novo tipo de sociedade.
Funções, relações, instituições e velhas idéias estão sendo reavaliadas,
reformuladas, remodeladas.
Pela primeira vez na
História, a humanidade se defronta com o painel de controle da mudança – uma compreensão
de como ocorre a transformação. Estamos vivendo na mudança da mudança, na
época em que podemos nos alinhar intencionalmente com a natureza para uma
rápida remodelação de nós mesmos e de nossas instituições em crise.
O paradigma da
Conspiração Aquariana vê a humanidade embutida na natureza. Promove a autonomia
do indivíduo em uma sociedade descentralizada. Encara-nos como os
administradores de todos os recursos, internos e externos. Declara que não
somos vítimas,nem peões, , e nem estamos limitados por condições ou
condicionamentos. Herdeiros de riquezas evolucionárias, somos capazes de
imaginar, inventar e fazer experiências que até agora apenas vislumbramos.
A natureza humana não é boa nem má, mas aberta
a uma transformação e transcendência contínuas. Só precisa descobrir a si
mesma. A nova perspectiva respeita a ecologia de todas as coisas: nascimento,
morte, aprendizado, saúde, família, trabalho, ciência, espiritualidade, as
artes, a comunidade relacionamento, política.
Os Conspiradores Aquarianos são atraídos uns
para os outros por suas descobertas paralelas, por mudanças de paradigmas que
os convencem de que estão levando vidas desnecessariamente circunscritas.
Fonte
Págs. 26-29, “A conspiração aquariana” – Marilyn Ferguson; tradução de Carlos
Evaristo M. Costa; prefácio de Max lerner. – 14ª Ed. – Rio de Janeiro, Nova
Era, 2006.
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