sábado, 15 de outubro de 2011


Um paciente sem futuro

HOMEOPATIA

Dr. François Choffat
Clínico geral, ensina homeopatia na Suíça.
Em 1992, participou da criação da Escola Suíça Romanda de Homeopatia Unicista



Apenas um objetivo consciente pode dar sentido á vida. Ora, como vimos, o canceroso costuma ser dominado por natureza pelos outros ou pelos acontecimentos, estando sua personalidade pouco disposta a exprimir-se e a realizar-se. A persistência de circunstâncias emocionais que favoreceram a ocorrência do câncer tendem a comprometer a sua cura. No momento em que sua doença se manifesta, o canceroso se encontra, de uma maneira ou de outra, num impasse, mesmo que não tenha consciência disso. E, como o diagnóstico da enfermidade evoca a possibilidade de uma morte próxima, reúnem-se todas as condições para inibir os projetos que possam subsistir e esvaziar o futuro de toda projeção imaginária. O paciente sofre sua vida num estado de espera, com o sentimento de uma ameaça imprecisa, a menos que a situação suscite uma revolta, uma tomada de consciência e uma transformação radical de seu comportamento. Essa atitude que enfim se torna combativa transforma o prognóstico do câncer, como se vê em todos os pacientes que decidiram lutar e tomar as rédeas de seu destino. Simonton favorece essa tomada de consciência e encoraja seus pacientes a reinventar seu futuro, a visualizar no relaxamento a realização de seus projetos a médio e a longo prazo.

A medicina oficial ao denegrir os regimes e todos os métodos complementares de tratamento, impede que os pacientes participem deste último, que tomem as rédeas e tomem para si um futuro. Ela os força a esperar na passividade e na angústia os resultados do tratamento imposto. Ora, toda prova, toda doença grave, pode ser bem vivida; antes assumida do que sofrida, ela se torna uma chance de dar um novo sentido à vida. A própria ameaça da morte, se se reage positivamente a ela, favorece essa mudança. A doença é também um pedido de socorro; tanto no que se refere ao ambiente como aos terapeutas, ela cria uma ocasião de ajudar o paciente a se conhecer e a se realizar melhor.




(fonte: págs. 190-191, do livro “Homeopatia e Medicina” Um Novo Debate, François Choffat,  Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1996).



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