quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CONCEPÇÕES ERRÔNEAS SOBRE ALIMENTAÇÃO

DR. HIROMI SHINYA
Chefe da unidade de endoscopia do Beth Israel Medical Center
Professor de cirurgia no Albert Einstein College of Medicine



Quando você pensa em preservar a saúde, pensa em alguma coisa especificamente? Você acha que deve fazer exercícios regularmente, alimentar-se de modo adequado e tomar suplementos fitoterápicos?
   Minha intenção não é criticar seus hábitos alimentares e seu estilo de vida atual, mas recomendo que, ao menos uma vez por dia, você mesmo verifique seu estado de saúde e reflita se seus hábito0s alimentares e seu estilo de vida são verdadeiramente eficazes.
   A razão pela qual digo isso é porque muitos produtos, geralmente considerados “bons para a saúde”, na verdade contêm coisas que podem causar danos ao organismo.


MITOS COMUNS SOBRE ALIMENTAÇÃO

·     Tomar iogurte diariamente para melhorar a digestão.
·     Beber leite diariamente para impedir a deficiência de cálcio.
·     Ingerir suplementos diários de vitamina em vez de frutas, pois as frutas  contêm grande quantidade de calorias e carboidratos.
·    Evitar o consumo de carboidratos, como arroz e pão, para não engordar.
·    Fazer uma alimentação rica em proteína.
·    Beber líquidos, como chá-verde, ricos em antioxidantes.
·  Ferver a água da torneira antes de beber para remover os resíduos de cloro.


   Na verdade, não conheço ninguém que tome iogurte todos os dias e ainda assim tenha o intestino saudável. Muitos norte-americanos consomem leite e seus derivados diariamente desde crianças, mas muitos sofrem de osteoporose, que supostamente seria evitada pelo cálcio do leite. Como médico nipo-americano, trato meus pacientes de Tóquio durante vários meses do ano e observo que os japoneses que bebem chá rico em antioxidantes regularmente têm problemas de estômago. Os instrutores de chá, por exemplo, que ingerem grandes quantidades de chá-verde como parte do seu trabalho, frequentemente têm gastrite atrófica, precursora do câncer de estômago,
   Lembre-se do que mais de 300 mil observações clínicas me ensinaram: quem tem problemas gastrintestinais nunca é saudável.
   Então, por que são consideradas benéficas à saúde coisas que causam danos ao estômago e ao intestino? Em boa parte porque as pessoas tendem a ver apenas um aspecto, ou efeito, de determinado alimento ou bebida, em vez de ver o quadro como um todo.
   Consideremos o chá-verde como exemplo. Não há nenhuma dúvida de que o chá-verde, rico em antioxidantes, pode matar bactérias e exercer efeitos antioxidantes positivos. Assim, existe uma crença amplamente disseminada de que beber grandes quantidades de chá-verde japonês prolonga a vida e pode ajudar a prevenir o câncer. Entretanto, sempre tive dúvidas sobre esse “mito antioxidante”. Na verdade, meus dados clínicos contrariam essa crença. Examinando pacientes, descobri que as pessoas que bebem grandes quantidades de chá-verde têm problemas de estômago.
   É verdade que os antioxidantes encontrados no chá são um tipo de polifenol que evita ou neutraliza o efeito danoso dos radicais livres. No entanto, quando vários desses antioxidantes se juntam, transformam-se em uma substância chamada tanino.

   O tanino confere a determinadas plantas e frutas um sabor adstringente. A sensação de adstringência ou “aperto” típico do caqui, por exemplo, é causada pelo tanino. O tanino oxida com facilidade e, dependendo de sua exposição à água quente ou ao ar, pode facilmente transformar-se em ácido tânico. Além disso, o ácido tânico coagula proteínas. Minha teoria é que o chá que contenha ácido tânico exerce efeito negativo sobre a mucosa gástrica – mucosa que reveste o estômago – causando problemas de estômago, como úlceras.
   O fato é que, sempre que eu uso um endoscópio para examinar o estômago de pessoas que regularmente consomem chá (chá-verde, chá chinês, chá-preto inglês) ou café com alto teor de ácido tânico, em geral encontro a mucosa gástrica bastante adelgaçada por causa das alterações atróficas. Esse revestimento tão importante do estômago fica literalmente desgastado. Sabe-se que alterações atróficas crônicas ou gastrite crônica podem facilmente transformar-se em câncer de estômago.
   Não sou o único médico que observou os efeitos nocivos do consumo de café e chá. No Congresso Japonês de Câncer em setembro de 2003, o professor Masayuki Kawanishi da Escola de Higiene da Universidade de Mie apresentou um relatório afirmando que os antioxidantes podem causar danos ao DNA. Além do mais, muitos tipos de chá vendidos hoje em supermercados são cultivados com o uso de agrotóxicos.
   A análise dos efeitos do ácido tânico, dos resíduos de agrotóxicos e da cafeína justifica plenamente a minha recomendação enfática de ingerir água pura em vez de chá. Entretanto, para os que gostam de chá e não conseguem deixar de consumi-lo, recomendo que usem folhas cultivadas organicamente, que bebam depois das refeições para não sobrecarregar o revestimento do estômago vazio, e que se restrinjam a duas ou três xícaras diárias.
   Muitas pessoas se deixam levar por crenças errôneas em relação à saúde porque a medicina de hoje [principalmente a medicina alopática] não olha o corpo humano como um todo. Há muitos anos, existe uma tendência de especialização médica de observar e tratar apenas uma parte do corpo. Do mesmo modo, não podemos analisar a floresta pelas árvores. O corpo humano está todo interligado. Não é porque um componente de determinado alimento ajuda no funcionamento de uma parte do organismo que ele faz bem ao organismo todo. A escolha do que comer e beber deve levar em conta o todo. Não é possível saber se um alimento faz bem ou não se tomarmos por base apenas um de seus componentes.




Fonte: págs 21 a 23, do livro "A Dieta do Futuro", Dr. Hiromi Shinya, São Paulo, Editora Cultrix, 2010.


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