Uma lição de BOA POSTURA
Some carteira inadequada a vícios posturais comuns na garotada as costas, então, vão mal na escola. Já que endireitar o corpo ainda não é matéria que se aprende em sala de aula, cabe a você o dever de casa de ajudar seu filho a ganhar uma coluna nota 10
por Regina Célia Pereira,
Repare no jeitão largado do menino ao lado. Imagine se ele costuma estudar assim, todo torto, boa parte do dia. A musculatura tensionada fatalmente sobrecarregará a coluna. Talvez esteja aí a explicação para a queixa cada vez mais freqüente entre a garotada: dor nas costas.
Embora até já existam carteiras ergonômicas, a maioria das escolas brasileiras não dispõe de móveis ajustáveis para acomodar desde o catatau até o grandalhão. “Se a altura da criança não condiz com a faixa etária, a saída é fazer uma troca de cadeiras entre turmas diferentes”, recomenda a pedagoga Kristine Kross, diretora da 1a à 4a série do ensino fundamental do Colégio Alemão Visconde de Porto Seguro, na capital paulista, onde existe uma preocupação com detalhes assim. É que isso faz diferença até mesmo na disposição para aprender.
O ideal seria que todas as escolas e, claro, os pais ficassem igualmente atentos. Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mostra que a meninada vive deixando o corpo relaxado até demais enquanto escreve no caderno ou lê a matéria no livro. E grande parte da culpa recai sobre a tal carteira inadequada. Dos 93 alunos com idade média de 11 anos, 54% reclamaram de dores na nuca. “A inclinação errada do pescoço contrai os músculos locais”, explica o educador físico Antônio Renato Pereira Moro, líder da pesquisa. “Aí a criança fica procurando posições em busca de alívio e não pára quieta, o que prejudica sua concentração”, relata. É como se o assento estivesse cheio de tachinhas.
Permanecer com os pés mal posicionados também é péssimo. “Se eles não alcançam o chão, a coluna sofre durante a aula inteira”,
afirma Jamil Natour, professor de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. “Na tentativa de tocar o solo, o estudante joga o corpo para a frente e isso afeta a região lombar, que volta para casa dolorida”, diz o fisioterapeuta Francisco Miguel, da Escola de Postura Brasil, no Rio de Janeiro. O contorcionismo resulta em vícios posturais que muitas vezes são difíceis de corrigir.
“A primeira lição para afastar danos futuros consiste em ensinar as posições corretas desde a mais tenra idade”, orienta o professor Clovis Artur Almeida da Silva, médico responsável da Unidade de Reumatologia Pediátrica do Hospital das Clínicas de São Paulo. O certo seria iniciar o bê-á-bá no próprio jardim-de-infância.
A tarefa cabe tanto aos educadores quanto aos pais. Além de dar toques sobre como sentar-se, levantar-se, dormir e outros tantos movimentos, é importante observar se a coluna está torta ou projetada para um dos lados quando o jovem caminha, por exemplo. Quanto à escola, mesmo que ela não disponha de mobiliário adequado, a criança saberá sentar-se direito se teve uma educação postural em casa.
ESTICADAS NO INTERVALO
Ficar muito tempo sentado também é prejudicial. “A sugestão é não ultrapassar 50 minutos”, indica a fisioterapeuta Anamaria Jones. Essa, aliás, é, em média, a duração de uma aula. Por isso, os filhos devem receber o recado: os intervalos devem ser aproveitados para dar aquela esticada nas pernas e nos braços, ainda que ela seja breve. O fisioterapeuta Francisco Miguel trabalha em um projeto para orientação de postura em algumas escolas no Rio de Janeiro. “Além de instruir professores sobre a importância desses alongamentos breves, nós conversamos com os pais”, conta.
Outra boa dica do especialista é fazer uma espécie de dança das cadeiras na sala de aula. “Estimular trocas de lugar é uma forma de evitar que os alunos se acostumem com posições inadequadas ao olhar na direção da lousa”, acredita. Há, ainda, aqueles que vivem encostados na parede. Esse tipo de posição resulta em desconforto. E , por causa dele, sem ter consciência o garotão deixa de ficar atento ao que diz o professor lá na frente.
LIVROS NO ARMÁRIO
Mochilas pesadas também são vilãs no enredo escolar. Elas deveriam conter um volume de até 10% do peso do aluno. Mas a molecada carrega de tudo — de dicionários pesadões a brinquedos. Até mesmo modelos com rodinhas nem de longe aliviam a coluna — é torção na certa. A tendência é a criança virar-se de lado para puxá-la. O ideal seria a escola ter armários para guardar, ali mesmo, a carga pesada dos livros.
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